Refletindo Sobre Problemas de Convivência Escolares: Indisciplina; Incivilidade; Violência; Transgressão; Bullying/cyberbullying


O que está em jogo em cada cena? Refletindo sobre problemas de convivência escolares.

Este exercício foi pensado para você colocar em prática seus conhecimentos sobre os problemas de convivência estudados. Para cada cena apresentada, anote em seu caderno se ela é um exemplo de:

  • Indisciplina;
  • Incivilidade;
  • Violência;
  • Transgressão;
  • Bullying/cyberbullying.

Cena 1

Algumas meninas se incomodam com a beleza de Fernanda. Além disso, ela tira boas notas e é frequentemente elogiada pelos professores, o que irrita as meninas. Um dia, durante o intervalo das aulas, as meninas agridem Fernanda com palavras e, enquanto algumas a seguram com força (o que deixa um hematoma em seu braço), outras cortam uma mecha grande de seus cabelos e rasgam seus materiais.

Cena 2

A professora de Literatura solicitou aos estudantes que fizessem a leitura prévia de um texto, com uma semana de antecedência, para que pudessem apresentar os principais pontos abordados pelo autor. Entretanto, um grupo de alunos não leu o texto e se mantive reunido, rindo e provocando outros alunos durante a aula.

Cena 3

Algumas alunas da classe de Mariana criaram uma página no Instagram para postar “memes” em que ela aparece com vários garotos.

Cena 4

Mesmo sabendo que não faz parte do uniforme escolar, Arthur vem vestido frequentemente com a camiseta de seu time, o que gera várias anotações no registro da escola.

Cena 5

Diariamente, a professora Diana entra na sala dos professores e diz “bom dia”, porém, mesmo com muitos na sala, ninguém responde.

Agora, compare suas respostas com o gabarito a seguir. O objetivo é que você faça uma autoavaliação sobre a compreensão dos problemas de convivência e suas naturezas, para que você possa, nas próximas atividades, propor intervenções possíveis para cada situação.

Anote 1 ponto para cada cena cuja avaliação você acertou.

Gabarito

Cena 1: ( x ) violência – 1 ponto

Por que se trata de uma cena de violência? Porque não temos mais informações e indícios que permitam definir se ela é um ato pontual – embora grave – de violência ou se é algo recorrente no grupo citado.

Cena 2: ( x ) indisciplina – 1 ponto

Por que se trata de uma cena de indisciplina? Porque o grupo de alunos não realiza uma tarefa acordada na sala de aula e se comporta de forma a atrapalhar o andamento da aula e a aprendizagem de toda a turma.

Cena 3: ( x ) bullying/cyberbullying – 1 ponto

Por que se trata de uma cena de bullying/cyberbullying? Essa cena foi caracterizada como cyberbullying pela manipulação e pela exposição da imagem de Mariana diante das muitas pessoas que acessam essa página do Instagram, causando consequências muito danosas.

Cena 4: ( x ) transgressão – 1 ponto

Por que se trata de uma cena de transgressão? Porque se relaciona com o descumprimento de uma regra da escola: o uso do uniforme.

Cena 5: ( x ) incivilidade – 1 ponto

Por que se trata de uma cena de incivilidade? Porque uma regra da boa educação e da boa convivência cidadã (responder a uma saudação) é ignorada pelo grupo.

 

Clique aqui e acesse os comentários sobre a cena 5

O que são as situações de incivilidade?

São situações muito frequentes nos ambientes escolares e, muitas vezes, podem ser também situações de indisciplina.

As situações de incivilidade referem-se a um conjunto de condutas inadequadas em sala de aula que interferem na qualidade da convivência do grupo, como gritar, andar pela sala, falar quando o professor explica, usar palavras desrespeitosas, provocar os colegas etc.

Alguns autores chamam essas atitudes de microviolências, pois evidenciam que os objetivos educativos das diferentes pessoas da classe não convergem para um ponto comum, ou seja, os objetivos educativos iniciais do professor não são compartilhados ou assumidos por todos os alunos.

Atitudes de incivilidade contribuem fortemente para criar um clima tenso na sala de aula e favorecem relações interpessoais ruins, tanto entre professores e alunos quanto entre os próprios alunos.

Agora, some seus pontos e veja a seguir como está seu conhecimento sobre os problemas de convivência escolares.

5 pontos – UAU! Você conseguiu compreender que os problemas de convivência possuem naturezas distintas. Parabéns! Isso será importante para que você possa entender as diferentes formas de abordá-los e de intervir.

3 ou 4 pontos – OLHA SÓ! Você já identificou boa parte dos problemas de convivência, distinguindo-os, mas seria importante retomar os que não conseguiu identificar.

2 pontos – VAMOS LÁ! É difícil mesmo distinguir os problemas de convivência. Nem sempre, nos primeiros estudos, isso é possível. Por isso, recomendamos que você retome a leitura do texto O desafio da convivência e releia as situações que não conseguiu acertar.

1 ou 0 ponto – PUXA! É importante você retomar o estudo do artigo O desafio da convivência. Sabemos como muitas vezes essa diferenciação é complexa, mas entendemos a necessidade de uma revisão.

Para contribuir com uma maior compreensão do tema, apresentamos para você alguns vídeos curtos em que as pesquisadoras Soraia Campos e Thaís Bozza comentam essas cenas. Vamos assisti-los


Ações interventivas e preventivas para os casos de VIOLÊNCIA.

O vídeo Violência escolar – entrevista Profa. Luciene Tognetta discute a violência escolar e as formas não violentas para a resolução de conflitos. Assista-o e registre em seu caderno os pontos que chamaram sua atenção.


O que são as situações de violência?

“[…] são atos agressivos intencionais que supõem força, coerção, expressão física intensa, imposição e provocam dano e destruição. São aquelas reguladas pelo código penal, ou seja, ações que atacam a lei com uso da força ou ameaça de usá-la” (VINHA, 2017).

Como agir na intervenção e na prevenção?

Situações que envolvem violência exigem um conjunto de ações e, geralmente, necessitam da atuação de outras instituições, como o Conselho Tutelar, o âmbito jurídico, o serviço de apoio à saúde mental, entre outras.

Essas situações requerem múltiplos níveis de intervenção, de forma a atender aos diferentes grupos que estão direta ou indiretamente envolvidos: os sujeitos da situação de violência, os pequenos grupos dos quais fazem parte, seu grupo-classe e a instituição escolar em conjunto, além das famílias.

As ações preventivas se dão no campo educativo ao promover a aprendizagem do respeito, da empatia e da polidez e a prática da justiça restaurativa.

Para intervir em situações de violência, tenha em mente a necessidade de convidar as pessoas à reflexão sobre a violência ao mesmo tempo em que se declara a justiça como valor fundamental para a escola. Para isso, algumas práticas importantes são:

  • Institucionalizar práticas restaurativas (mediação de conflitos, círculos restaurativos);
  • Promover a justiça restaurativa (sanções educativas e por reciprocidade);
  • Propiciar encontros formativos e orientações às famílias (exemplo: regras, sanções, comunicação construtiva, valores da escola);
  • Ter maior controle de armas de fogo e munições;
    criar e fortalecer os Conselhos de Escola (participação da comunidade escolar);
  • Conhecer a ampliação dos sistemas de proteção social básica (CRAS, CREAS) e refletir com a comunidade sobre eles;
  • Promover rodas de conversa com temas que possam despertar no adolescente a sensibilidade moral (temas da atualidade, expressão dos sentimentos);
  • Oferecer programas com oficinas artísticas, culturais e esportivas com adolescentes, fortalecendo ou criando espaços de socialização e participação, e promover o direito à profissionalização como forma de reduzir a exposição dos alunos aos riscos.

Quando o problema de convivência é a TRANSGRESSÃO.

O que são as situações de transgressão?

São comportamentos contrários ao regulamento interno da escola (mas não ilegais do ponto de vista da lei). Nessa perspectiva, as regras não são compreendidas como mecanismos de repreensão ou controle, mas como parâmetros elaborados pelos educadores em conjunto com os alunos.

Esses parâmetros devem ser respeitados no ambiente escolar, pois objetivam a organização dos trabalhos, a justiça, a convivência e a produção escolar de melhor qualidade.

Como agir na intervenção e na prevenção?

Você deve favorecer e fortalecer a cultura do diálogo, promovendo a reflexão sobre a necessidade da existência das regras e de como seria se as pessoas não as cumprissem.

Para os problemas de convivência em que há violação do regimento escolar, sugerimos algumas práticas bem-sucedidas:

  • implantação de espaços institucionais para discussão e construção coletiva das regras, como as assembleias escolares;
  • rodas de conversa para reflexão coletiva sobre as regras não negociáveis e para revisão das regras negociáveis;
  • propostas de reflexão individualizada, nos casos em que a transgressão ocorre individualmente.

Sobre as assembleias escolares, assista ao vídeo Assembleias escolares na EMEF. Maria Pavanatti Fávaro, Campinas, SP, em que alunos, funcionários, professores e gestores contam sobre a organização das assembleias e as mudanças no clima da escola desde a implantação delas. Vale a pena assistir!


E o que fazer com os casos de INCIVILIDADE?

O que são as situações de incivilidade?

São situações muito frequentes nos ambientes escolares e, muitas vezes, podem ser também situações de indisciplina.

As situações de incivilidade referem-se a um conjunto de condutas inadequadas em sala de aula que interferem na qualidade da convivência do grupo, como gritar, andar pela sala, falar quando o professor explica, usar palavras desrespeitosas, provocar os colegas etc.

Alguns autores chamam essas atitudes de microviolências, pois evidenciam que os objetivos educativos das diferentes pessoas da classe não convergem para um ponto comum, ou seja, os objetivos educativos iniciais do professor não são compartilhados ou assumidos por todos os alunos.

Atitudes de incivilidade contribuem fortemente para criar um clima tenso na sala de aula e favorecem relações interpessoais ruins, tanto entre professores e alunos quanto entre os próprios alunos.

Para intervir nas situações de incivilidade, são consideradas práticas bem-sucedidas:

  • Demonstrar autoridade sem ser autoritário ou “um igual”;
  • Aplicar os pressupostos da comunicação não violenta;
  • Ser coerente e “não deixar passar” as situações de incivilidade;
  • Possuir recursos para lidar com os conflitos, sem superdimensioná-los ou subestimá-los;
  • Promover assembleias, rodas de conversa e círculos restaurativos.

·         A INDISCIPLINA é um dos problemas de convivência. E agora?

·         O que são as situações de indisciplina?

·         São situações ligadas à ruptura do contrato pedagógico, ou seja, ações que impedem que o processo de ensino-aprendizagem ocorra.

Como agir na intervenção e na prevenção?

Como a indisciplina está ligada à vinculação dos alunos nos processos de aprendizagem, há uma variedade de estudos que destacam a importância da gestão da sala de aula para estabelecer e manter um ambiente ordenado e atencioso no qual os alunos possam se desenvolver cognitivamente, socialmente, afetivamente, moralmente e fisicamente.

Mas o que é a gestão da sala de aula?

Ela está relacionada com tudo o que o professor faz para organizar os estudantes, o espaço físico, o tempo e os materiais, visando favorecer a aprendizagem. Por isso, ela envolve:

  • Planejamento e organização do espaço da sala de aula, promovendo um ambiente de cooperação;
  • Construção de relacionamentos respeitosos e atenciosos;
  • organização e planejamento do tempo para a realização das atividades;
  • Estímulo à motivação dos alunos;
  • Administração de trabalhos independentes e em grupos. 

Para as situações de indisciplina, é necessário intervir a partir da gestão da sala de aula. Conheça algumas importantes práticas:

  • participação ativa dos alunos durante as atividades, protagonismo;
  • não centralização na figura do professor (ele não deve ser visto como único detentor do saber);
  • aplicação de atividades desafiadoras e significativas para os alunos;
  • alteração de rotinas e propostas para cada realidade;
  • envolvimento dos alunos na seleção de alguns temas, no planejamento e no desenvolvimento das atividades – dar oportunidade de escolhas;
  • realização de assembleias, rodas de conversa e círculos restaurativos.

Muitas vezes, as situações de indisciplina são confundidas com situações de incivilidade. E como diferenciar uma da outra? Confira o vídeo a seguir.


Quando há falta de sensibilidade moral: BULLYING/CYBERBULLYING

O que são as situações de bullying e cyberbullying?

São formas de violência que ocorrem entre pares, praticadas por sujeitos que sabem que suas agressões humilham, expõem ou menosprezam intencionalmente o outro.

Como esses praticantes de bullying ou cyberbullying carecem de sensibilidade moral, eles apresentam dificuldades para perceber que falta um valor moral em suas ações: o respeito.

No espaço virtual, esses sujeitos podem se sentir ainda mais encorajados a praticar atos violentos contra colegas por não estarem frente a frente com seus alvos e por acreditarem na possibilidade do anonimato e na ausência de autoridades que possam eventualmente puni-los.

Como agir na intervenção e na prevenção?

Como a escola deve agir diante das situações de bullying?

Nos dois vídeos a seguir, a professora doutora Luciene Tognetta reflete sobre as ações preventivas e interventivas a serem praticadas na escola a partir de uma perspectiva da construção da moralidade e em respeito à Lei nº 13.663/2018, conhecida como Lei Antibullying.

Para as situações de bullying/cyberbullying, as intervenções necessitam de alguns cuidados e pontos de atenção:

  • É fundamental que os envolvidos sejam atendidos, a princípio, separadamente, ou seja, é necessário ouvir alvos e autores em momentos distintos;

  • A conversa com os alvos tem como objetivos ouvi-los, acolhê-los e fortalecê-los. É indispensável um momento de escuta sem julgamentos, com a intenção de reconhecer seus sentimentos, e a partir daí pensar, em conjunto, medidas que possam ser tomadas para enfrentar a situação;

  • É preciso lembrar que os autores possuem baixos níveis de empatia e sensibilidade e, por isso, necessitam de formação e ajuda;

  • Nesse sentido, o papel da escola com os autores é fazer com que consigam se colocar no lugar das vítimas e refletir como se sentiriam caso alguém fizesse o mesmo com eles. Em seguida, deve-se realizar o processo de conscientização e reparação. É imprescindível que os autores proponham alternativas para reparar o dano causado;

  • Também são necessárias ações com os espectadores. É preciso que sejam chamados a se posicionar contra a agressão quando esta ocorre em público;

  • A escola também deve desenvolver propostas de atividades para que os alunos reflitam sobre o bullying/cyberbullying (sem expor os envolvidos diretos na situação) visando favorecer a indignação, a sensibilidade com a dor do outro e a atuação contra a manutenção do bullying/cyberbullyin;

  • Criação do projeto antibullying envolvendo toda a comunidade, com objetivo de prevenir essas formas de violência. A criação do projeto antibullying diz respeito ao cumprimento da Lei nº 13.663/2018, conhecida como Lei Antibullying, que prevê que as escolas desenvolvam medidas de conscientização, prevenção e combate ao bullying.


Fonte: Vivescer

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Como Reduzir Conflitos na Escola - Introdução e Atividades

Quais são os principais problemas de convivência que você pode encontrar no cotidiano escolar?

A conduta ética, a postura do estudante e o comprometimento com a boa convivência são construídos pelas crianças e pelos adolescentes ao longo dos anos, nas interações na escola, em casa e em outras esferas da sociedade.

É a partir dessa experiência e da reflexão sobre ela que os aprendizados são produzidos. Assim, é parte do nosso fazer como professores intervir quando há problemas de convivência.

Por isso, é importante refletir sobre esse tema e aprimorar nossa compreensão sobre ele. Por exemplo, é comum chamarmos de indisciplina todos os tipos de problema de convivência que ocorrem no dia a dia. Mas você sabia que nem tudo é o que parece ser?

Portanto, nosso objetivo neste módulo é ajudar a aprimorar seu olhar e apoiar sua ação em sala de aula. Esperamos que você possa refletir sobre os elementos fundamentais que caracterizam e diferenciam os problemas de convivência e que podem ser a chave para nossa intervenção educativa.

Um olhar para os problemas de convivência na escola

Para iniciar este curso, convidamos você a analisar um conjunto de ilustrações. Elas representam diferentes situações que costumam acontecer em sala de aula e são desafios para a prática docente e para a aprendizagem dos alunos. Você já se deparou com alguma delas?



Situações como essas são frequentes nas escolas, e muitas vezes chamamos tudo de indisciplina. Identificar suas diferenças e peculiaridades favorece boas intervenções educativas e é uma oportunidade de construir um ambiente respeitoso e um clima positivo para a aprendizagem.

Neste curso, apresentamos alguns encaminhamentos didáticos para os problemas de convivência. Esperamos que eles sirvam de base para a adoção de intervenções personalizadas que façam sentido, que dialoguem e que contribuam para a convivência ética na comunidade escolar.


Refletindo sobre os problemas de convivência.

Diariamente presenciamos problemas de convivência em sala de aula, nem sempre fáceis ou simples de serem equacionados. Alguns, em especial, ecoam por mais tempo em cada um de nós e, como tocam nosso senso moral, desencadeiam torrentes de sentimento. Pensando nisso, convidamos você a ler a situação descrita a seguir e a refletir sobre ela.

Rafaela é professora de matemática do 8º ano. Ela ministra aulas em várias turmas, mas em uma, especialmente, sente-se desmotivada. As situações se repetem: sala com muito ruído, alunos em pé, gritando, ninguém se escuta. A professora já tentou de tudo: anda pela sala, pede aos alunos que estão em pé para se sentarem, diz que está cansada, refaz combinados, encaminha para a coordenação, envia comunicado às famílias… Mas nada parece funcionar.

Lendo esse relato, que tipos de problema de convivência você diria que a professora Rafaela tem enfrentado?

1 – indisciplina; 2 – violência; 3 – bullying/cyberbullying; 4 – transgressão; 5 – incivilidade.

  • Você já passou por situações parecidas com essa da professora Rafaela? Revisite sua trajetória como educador buscando na memória uma situação semelhante e anote-a em seu caderno. Esse registro será utilizado em outras atividades ao longo deste curso, por isso é importante tê-lo à mão.
  • Procure classificar a situação que você relatou de acordo com os tipos de problema de convivência já mencionados nas atividades 1 e 2 deste curso. Se quiser, reveja as imagens da atividade 1, pois elas podem apoiá-lo nessa classificação.

Estudando sobre os problemas de convivência.

O aprimoramento de nossa prática educativa se dá em um ciclo que envolve experiência, reflexão aliada ao estudo e ação.

Por isso, é essencial estudar temas que representam desafios para nossa ação em sala de aula no que diz respeito aos problemas de convivência e criar observáveis para melhorar nossa prática.

Indicamos, então, a leitura do artigo O desafio da convivência, de Telma Vinha e Cesar A. Amaral Nunes, em que os autores abordam os diversos problemas de convivência que enfrentamos na escola. Que tal parar uns minutos e ler esse artigo?

Agora é o momento de refletir sobre a leitura! Trouxemos algumas questões para guiar você nessa reflexão. Vamos lá?

a. O que mais chamou sua atenção na leitura do artigo?
b. A partir das discussões apresentadas no texto compartilhado, cite duas estratégias que podem ser usadas por você na gestão da sala de aula.
c. O artigo destaca que a escola aparentemente trata como normal o problema da violência de gênero e orientação sexual. O que você pensa sobre isso?
d. Reflita novamente sobre a situação que você resgatou de sua memória na atividade anterior e sobre a experiência da professora Rafaela. Algo mudou na forma como você vê os problemas de convivência? Se sim, o que mudou? Há algo que você pretende passar a observar de agora em diante? Anote suas respostas e considerações em seu caderno pessoal.

Diário reflexivo: ferramenta de estudo dos problemas de convivência.

O diário reflexivo é uma importante ferramenta de estudo porque, por meio da narrativa, potencializamos a experiência pessoal e profissional, além do desenvolvimento da responsabilidade social e dos comportamentos orientados por princípios éticos.

A narrativa evidencia a combinação de conhecimentos, capacidades e atitudes. Nesse sentido, o diário reflexivo depende, entre outros elementos, da análise e da discussão de casos.

Para fazer um diário reflexivo no contexto do cotidiano escolar, considere os passos descritos a seguir.

  1. A escrita no diário começa dando destaque a uma situação marcante que vivemos ou de que tivemos notícia. Por isso, o primeiro passo é apresentar essa situação sem filtros e apontar de que forma ela nos toca e que sentimentos e ideias ela nos desperta.
  2. A escrita continua com nossa reflexão sobre essa situação: quais são os riscos que se apresentam; quais são os impactos para os envolvidos e para a turma no que se refere à qualidade das relações e às aprendizagens; quais são os desafios que se apresentam para o professor e para a própria gestão escolar, etc.
  3. Você vai observar que algumas dessas questões se destacam em sua reflexão. Vale a pena deter-se mais nelas. Aqui pode ser interessante fazer relação com alguns autores ou textos que são referência para você quando se depara com esse tipo de situação. Esse diálogo com a teoria pode ajudar a iluminar novos caminhos e formas de reequacionar as situações vividas.
  4. Para finalizar essa escrita no diário, vale se perguntar sobre possíveis encaminhamentos para superar os desafios vividos no cotidiano escolar e aprender com eles, criando práticas que colaborem com melhores relações entre todos.
  5. Agora, que tal exercitar essa ferramenta de estudo?

Para isso, leia os dois relatos a seguir, escolha aquele que foi mais impactante para você e, a partir dele, faça um diário reflexivo.

Relato 1

Trecho do capítulo “Escola é lugar de agressão?”, do livro Desafios reais do cotidiano escolar brasileiro, coordenado por Katherine K. Merseth.

A aluna Larissa do 8º ano entrou na sala da coordenadora pedagógica correndo e com as duas mãos pressionando as narinas que sangravam. A coordenadora Luzia prontamente se levantou para acolher a estudante, como sempre fazia em uma emergência ou necessidade. […] Larissa era uma menina tímida, que tinha dirigido a palavra poucas vezes à Luzia. Porém, ao caminharem em direção ao banheiro que ficava bastante próximo, conversaram bastante sobre o ocorrido. Larissa contou que um colega da mesma sala lhe dera um soco no nariz de maneira inesperada e descabida, só porque ela tinha pedido para ele parar de gritar e pular pela sala, pois queria fazer uma atividade com mais concentração, e isso estava difícil. Já havia muito barulho na classe e esse colega estava tumultuando o ambiente ainda mais.

Fonte: MERSETH, Katherine K. (coord.). Desafios reais do cotidiano escolar brasileiro: 22 dilemas vividos por diretores, coordenadores e professores em escolas de todo o Brasil. São Paulo: Moderna, 2018.

Relato 2

Trecho do capítulo “Relações na escola, a escola de relações”, do livro La scuola e l’arte di ascoltare. Gli ingredienti delle scuole felici, de Marianella Sclavi e Gabriella Giornelli (tradução para fins didáticos).

Tento entender o que aconteceu. Não é fácil.

Ao chegar à escola, vejo que um menino está andando de um lado para o outro na frente do prédio. Descubro mais tarde que também está envolvido na confusão: ele está lá para proteger “sua namorada” de qualquer ataque.

Entendi, portanto, que o fato envolve duas meninas da mesma turma e que há uma história de amor no meio, mas que a aluna que sofreu a agressão física é de outra escola.

Aparentemente toda a turma está dividida em apoiadores e opositores, e ameaças ou outras manifestações acabaram isolando uma das duas meninas, a Agnes, tida como a principal culpada, responsável, segundo os demais, por “flertar” com o menino (o que está de fora da escola) que já era namorado da Claudia. A agressora não é a Claudia, mas sua amiga mais próxima chamada Manuela.

O evento não é nada claro, e a dinâmica do que aconteceu fica ainda mais confusa quando ouço as duas versões conflitantes depois de ter falado separadamente com as duas protagonistas.

Decido então que o fato de não entender nada é o mal menor, mas que, se quero acalmar os ânimos, devo agir de modo rápido e imediatamente. Eu propus organizar uma mediação criativa entre todas as partes envolvidas, a qual foi realizada com sucesso.

No entanto, o que quero destacar aqui é como certos desenvolvimentos na história são tão emocionalmente envolventes que envolvem e bloqueiam ações em outros campos e que a incapacidade de conter as emoções vivenciadas desencadeia uma agressão quase raivosa. A isso, somam-se a eventos pessoais, frustrações ou dores que não são fáceis de aceitar e que os alunos não são educados para entender e apoiar.

[…] Este não é um caso isolado, mas a ponta de um fenômeno muito difundido que a escola não tem dado muita importância: a incapacidade de muitos jovens de compreender suas emoções, de saber ler as dos outros, de se colocar no lugar de quem está acusando, zombando ou batendo.

Fonte: SCLAVI, Marianella; GIORNELLI, Gabriella. La scuola e l’arte di ascoltare. Gli ingredienti delle scuole felici. Milano: Feltrinelli Editore, 2014.

Agora que você leu os dois relatos, escolha um deles e inicie seu diário reflexivo, apresentando o relato brevemente e compartilhando os sentimentos e as ideias que essa situação provocou em você.

Abaixo, relembramos os passos do diário reflexivo.

  • Dar destaque à situação escolhida, apresentando-a sem filtros. Apontar de que forma ela te toca e que sentimentos e ideias ela desperta em você.
  • Seguir a escrita realizando uma reflexão sobre essa situação: quais são os riscos que se apresentam; quais são os impactos para os envolvidos e para a turma no que se refere à qualidade das relações e às aprendizagens; quais são os desafios que se apresentam para o professor e para a própria gestão escolar, etc.
  • Observar quais pontos ou questões se destacam mais em sua reflexão, pois vale a pena deter-se mais nelas. Aqui, pode ser interessante fazer relação com alguns autores ou textos que são referência para você quando se depara com esse tipo de situação. Esse diálogo com a teoria pode ajudar a iluminar novos caminhos e formas de reequacionar as situações vividas.
  • Para finalizar essa escrita no diário, se pergunte sobre possíveis encaminhamentos para superar os desafios vividos nesta situação e aprender com eles, criando práticas que colaborem com melhores relações entre todos.

Fonte: Vivescer

Projeto DESCONecta: Educação para o Uso Consciente das Telas

 


DESCONecta: Educação para o Uso Consciente das Telas

Projeto pedagógico preventivo sobre o uso excessivo de celulares e redes sociais na escola

1. Apresentação

O celular tornou-se parte integrante da vida cotidiana de crianças, adolescentes e adultos. Nas escolas, entretanto, seu uso inadequado ou excessivo pode produzir desafios pedagógicos relacionados à atenção, concentração, interação presencial, organização dos estudos e qualidade das relações interpessoais.

Diante desse cenário, a escola não precisa tratar a tecnologia apenas como um problema a ser eliminado. É necessário educar para que os estudantes desenvolvam critérios para utilizá-la de maneira consciente, equilibrada, responsável e produtiva.

O projeto “DESCONecta: Educação para o Uso Consciente das Telas” propõe um conjunto de ações preventivas destinadas a estudantes, professores e famílias, tendo como princípio a construção de uma relação mais saudável com celulares, redes sociais, jogos, vídeos e demais recursos digitais.

A expressão DESCONecta não significa necessariamente abandonar a tecnologia. Significa aprender a desconectar-se voluntariamente quando a situação exige atenção ao mundo real, às pessoas, aos estudos, ao descanso e às próprias necessidades.


2. Tema

Uso consciente de celulares, redes sociais e outras tecnologias digitais no ambiente escolar e na vida cotidiana.


3. Problema

Como prevenir o uso excessivo e inadequado de celulares e redes sociais por estudantes, promovendo equilíbrio entre a vida digital, os estudos, o sono, as relações presenciais, o lazer e o desenvolvimento pessoal?


4. Justificativa

A presença constante das tecnologias digitais modificou significativamente as formas de comunicação, entretenimento, acesso à informação e aprendizagem. O desafio contemporâneo da escola não consiste simplesmente em aceitar ou rejeitar essas tecnologias, mas em desenvolver nos estudantes competências que lhes permitam utilizá-las de maneira crítica e responsável.

O uso excessivo das telas pode estar associado a dificuldades relacionadas à atenção, ao sono, à redução das interações presenciais e à organização da rotina. Por essa razão, ações exclusivamente disciplinares ou proibitivas podem ser insuficientes quando não são acompanhadas de processos educativos.

O projeto parte de uma perspectiva preventiva: antes de punir o uso inadequado, é necessário ensinar o estudante a compreender seus próprios hábitos digitais e desenvolver estratégias de autorregulação.

Nesse sentido, a escola pode atuar como espaço de conscientização, diálogo e construção de hábitos saudáveis.

A proposta dialoga com contribuições teóricas da aprendizagem social de Albert Bandura, especialmente quanto à observação, autorregulação e influência do ambiente sobre os comportamentos; com Paulo Freire, ao valorizar o diálogo e a problematização da realidade; e com abordagens contemporâneas de educação midiática e cidadania digital.


5. Objetivo geral

Promover a conscientização de estudantes sobre os impactos do uso excessivo de celulares e redes sociais, desenvolvendo estratégias de autorregulação e utilização consciente, equilibrada, segura e responsável das tecnologias digitais.


6. Objetivos específicos

  • Identificar hábitos relacionados ao uso de celulares e redes sociais.
  • Refletir sobre o tempo diário destinado às telas.
  • Compreender a importância do sono e do descanso.
  • Desenvolver estratégias de autorregulação do uso tecnológico.
  • Estimular momentos de interação presencial.
  • Discutir os impactos das notificações e das interrupções constantes.
  • Refletir sobre comparação social e exposição nas redes.
  • Desenvolver pensamento crítico diante dos conteúdos digitais.
  • Prevenir situações de cyberbullying.
  • Incentivar o uso pedagógico e produtivo das tecnologias.
  • Orientar estudantes sobre privacidade e segurança digital.
  • Envolver as famílias na construção de hábitos digitais equilibrados.
  • Promover alternativas de lazer que não dependam exclusivamente das telas.

7. Público-alvo

O projeto pode ser desenvolvido com:

  • estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental;
  • estudantes do Ensino Médio;
  • professores;
  • equipes pedagógicas;
  • famílias e responsáveis.

As atividades podem ser adaptadas conforme a faixa etária.


8. Duração

Sugestão: 8 semanas, com uma atividade principal por semana.

O projeto também pode ser transformado em uma campanha permanente da escola.


9. Metodologia

A metodologia será baseada em educação preventiva, diálogo, participação dos estudantes, autorreflexão e aprendizagem baseada em situações do cotidiano.

A proposta não deve apresentar o celular simplesmente como inimigo da aprendizagem. O objetivo é ensinar o estudante a responder a perguntas como:

Eu controlo minha tecnologia ou minha tecnologia controla meus hábitos?

As atividades deverão partir de situações concretas vivenciadas pelos estudantes, possibilitando a construção coletiva de estratégias de mudança.


10. Atividades práticas preventivas

ATIVIDADE 1 – “Quanto tempo eu passo conectado?”

Objetivo

Levar o estudante a conhecer seus próprios hábitos digitais.

Desenvolvimento

Durante três dias, os estudantes registrarão:

  • horário em que começam a utilizar o celular;
  • tempo aproximado de utilização;
  • aplicativos mais utilizados;
  • finalidade do uso;
  • momentos em que utilizaram o aparelho sem necessidade;
  • como se sentiram antes e depois do uso.

Depois, a turma poderá discutir:

Quanto tempo do meu dia pertence realmente a mim?

Importante: o professor não deve transformar o registro em instrumento de fiscalização individual. O objetivo é promover autoconhecimento, e não constrangimento.


ATIVIDADE 2 – “O desafio dos 30 minutos”

Durante uma semana, cada estudante escolherá diariamente 30 minutos sem celular, preferencialmente em um período previamente combinado.

Nesse intervalo, poderá:

  • caminhar;
  • conversar com alguém;
  • ler;
  • desenhar;
  • praticar esporte;
  • ouvir música sem utilizar redes sociais;
  • brincar;
  • estudar;
  • realizar uma atividade artística.

Ao final, os estudantes responderão:

O que eu fiz durante esses 30 minutos?

Foi difícil ficar sem o celular?

O que descobri sobre meus hábitos?


ATIVIDADE 3 – “Caça às notificações”

O professor apresentará uma pergunta:

Quantas vezes durante o dia alguém ou alguma coisa interrompe minha atenção?

Os estudantes poderão analisar suas notificações e classificá-las em:

Necessárias | Importantes | Dispensáveis

Em seguida, poderão discutir quais notificações realmente precisam permanecer ativadas.

A atividade pode culminar em uma reflexão:

Nem toda notificação merece a minha atenção imediatamente.


ATIVIDADE 4 – “Celular na hora certa”

A turma deverá elaborar coletivamente um Mapa dos Momentos Sem Tela.

Exemplos:

🍽️ durante as refeições;

📚 durante determinados períodos de estudo;

🛏️ próximo ao horário de dormir;

🗣️ durante conversas importantes;

🏃 durante atividades físicas;

👨‍👩‍👧 durante momentos familiares;

🏫 em situações pedagógicas nas quais o aparelho não esteja sendo utilizado para fins educacionais.

O objetivo não é estabelecer uma regra universal, mas ajudar os estudantes a identificar situações nas quais a presença constante da tela pode atrapalhar uma experiência mais importante.


ATIVIDADE 5 – “Quem está controlando quem?”

O professor apresentará situações fictícias:

“João pega o celular para responder uma mensagem. Depois abre uma rede social. Em seguida assiste a um vídeo. Depois vê outro. Quando percebe, passaram-se 40 minutos.”

A turma deverá discutir:

  • Por que João continuou conectado?
  • Ele pretendia ficar 40 minutos no celular?
  • O que poderia ter interrompido esse comportamento?
  • Existem estratégias para recuperar o controle da atenção?

A atividade introduz o conceito de autorregulação.


ATIVIDADE 6 – “Uma aula sem celular”

Uma vez por semana, uma aula poderá ser realizada sem a utilização de celulares.

O professor deverá propor uma atividade que valorize:

  • diálogo;
  • leitura;
  • escrita;
  • debate;
  • desenho;
  • experimentação;
  • atividade física;
  • trabalho colaborativo.

Ao final, os estudantes responderão:

O que foi diferente quando não utilizamos o celular?

A intenção não é demonizar a tecnologia, mas demonstrar que existem diferentes formas de aprender, comunicar-se e ocupar o tempo.


ATIVIDADE 7 – “Desafio: converse comigo”

Os estudantes formarão duplas.

Durante alguns minutos, deverão conversar presencialmente sobre um tema previamente definido, sem utilizar celulares.

Sugestões:

  • um sonho para o futuro;
  • uma pessoa que admiram;
  • um lugar que gostariam de conhecer;
  • uma experiência marcante;
  • algo que gostariam de aprender.

Depois, cada estudante apresentará ao grupo uma coisa que descobriu sobre o colega.

A atividade trabalha a escuta, a empatia e a comunicação presencial.


ATIVIDADE 8 – “O que as redes mostram e o que escondem?”

O professor apresentará exemplos fictícios de publicações extremamente positivas:

“Minha vida é perfeita!”

“Meu corpo está perfeito!”

“Minha viagem foi incrível!”

“Tenho os melhores amigos!”

A turma discutirá:

  • Uma publicação representa toda a realidade de uma pessoa?
  • Por que as pessoas mostram apenas determinados momentos?
  • Como a comparação pode afetar nossa percepção de nós mesmos?
  • Como desenvolver uma postura crítica diante das redes sociais?

A atividade pode trabalhar alfabetização midiática e pensamento crítico.


ATIVIDADE 9 – “Detetives do algoritmo”

Os estudantes pesquisarão como as plataformas digitais podem recomendar conteúdos com base no comportamento dos usuários.

Depois, discutirão:

Por que aparecem determinados vídeos para mim?

Por que uma pessoa recebe conteúdos diferentes dos meus?

Como minhas escolhas influenciam aquilo que aparece na minha tela?

O objetivo é desenvolver consciência sobre o ambiente digital e reduzir a ideia de que aquilo que aparece na tela é simplesmente uma representação neutra da realidade.


ATIVIDADE 10 – “Meu contrato comigo mesmo”

Ao final do projeto, cada estudante elaborará um compromisso pessoal.

Exemplos:

“Vou evitar utilizar o celular durante as refeições.”

“Vou reservar um período do meu dia para ficar longe das telas.”

“Vou evitar levar o celular para a cama.”

“Vou pensar antes de compartilhar conteúdos.”

“Vou priorizar as pessoas que estão comigo presencialmente.”

O compromisso deverá ser realista, individual e possível de cumprir.


11. Envolvimento das famílias

A participação da família é fundamental.

A escola poderá promover uma reunião ou oficina denominada:

“Família Conectada, Família Consciente”

Temas sugeridos:

  • estabelecimento de rotinas;
  • equilíbrio entre telas e outras atividades;
  • acompanhamento do uso das redes;
  • diálogo sobre segurança digital;
  • importância do sono;
  • exemplo dos adultos;
  • cyberbullying;
  • exposição de informações pessoais;
  • construção de combinados familiares.

Uma pergunta pode orientar a oficina:

Que exemplo de uso da tecnologia estamos oferecendo às nossas crianças e adolescentes?


12. Campanha escolar

A escola poderá criar a campanha:

📵 “DESCONecta: Olhe para a Vida!”

Durante uma semana, poderão ser espalhados cartazes pelos espaços escolares com frases como:

“Nem tudo precisa ser registrado. Algumas experiências precisam ser vividas.”

“Sua atenção é um recurso precioso.”

“Desligar a tela também é uma forma de estar presente.”

“Conecte-se com pessoas, não apenas com redes.”

“Use a tecnologia. Não deixe que ela use você.”


13. Produção dos estudantes

Como produto final, os estudantes poderão produzir:

  • cartazes;
  • vídeos educativos;
  • podcasts;
  • histórias em quadrinhos;
  • campanhas digitais;
  • poemas;
  • textos argumentativos;
  • infográficos;
  • podcasts sobre cidadania digital;
  • vídeos de conscientização;
  • peças teatrais;
  • murais.

Uma excelente atividade seria criar a campanha:

“5 atitudes para recuperar o controle do meu tempo digital”

Cada turma produziria suas próprias recomendações.


14. Avaliação

A avaliação deverá ser predominantemente formativa, observando mudanças na percepção e nos hábitos dos estudantes.

Podem ser utilizados:

Questionário inicial

O estudante responde antes do projeto:

  • Quanto tempo aproximadamente utilizo o celular?
  • Uso celular antes de dormir?
  • Tenho dificuldade para ficar algum tempo sem celular?
  • Costumo verificar notificações durante os estudos?
  • Já deixei de conversar com alguém porque estava utilizando o celular?

Questionário final

As mesmas questões podem ser reaplicadas após o projeto.

Além disso, poderão ser observados:

  • participação nas atividades;
  • capacidade de reflexão;
  • compreensão dos riscos digitais;
  • desenvolvimento de estratégias de autorregulação;
  • participação em atividades presenciais;
  • percepção sobre equilíbrio entre vida digital e vida presencial.

15. Indicadores de resultado

A escola poderá acompanhar indicadores como:

  • participação dos estudantes nas atividades;
  • percepção sobre o próprio uso do celular;
  • redução de interrupções durante determinadas atividades pedagógicas;
  • aumento da participação em atividades presenciais;
  • conhecimento sobre segurança digital;
  • percepção dos estudantes sobre equilíbrio entre telas e outras atividades;
  • participação das famílias;
  • ocorrências relacionadas a conflitos digitais e cyberbullying.

Os indicadores devem ser utilizados para avaliar o projeto, e não para rotular ou punir estudantes.


16. Princípio pedagógico fundamental

O projeto deve evitar a ideia de que “celular é ruim”.

A questão pedagógica mais importante é outra:

Como formar estudantes capazes de utilizar tecnologias sem perder a capacidade de controlar a própria atenção, administrar seu tempo, estabelecer relações presenciais e fazer escolhas conscientes?

Essa mudança de perspectiva é fundamental.

A escola do século XXI não precisa simplesmente formar estudantes capazes de utilizar tecnologia. Precisa formar pessoas capazes de decidir quando utilizar, como utilizar e quando é necessário desconectar-se.


17. Resultados esperados

Espera-se que o projeto contribua para:

  • maior consciência sobre hábitos digitais;
  • desenvolvimento da autorregulação;
  • utilização mais responsável das redes sociais;
  • fortalecimento das relações presenciais;
  • melhoria da atenção durante determinadas atividades;
  • compreensão dos riscos relacionados à exposição digital;
  • prevenção do cyberbullying;
  • fortalecimento da cidadania digital;
  • maior participação das famílias;
  • construção de uma cultura escolar de equilíbrio tecnológico.

18. Considerações finais

A tecnologia já faz parte da realidade dos estudantes e continuará fazendo parte do futuro. Por isso, a escola não pode limitar sua atuação à simples proibição.

A educação preventiva precisa ajudar crianças e adolescentes a compreender que tecnologia é ferramenta, não finalidade de existência.

Ensinar a desconectar-se é, nesse sentido, ensinar a escolher.

É ensinar que uma conversa pode ser mais importante que uma notificação; que uma noite de sono pode ser mais importante que mais um vídeo; que uma experiência vivida não precisa necessariamente ser publicada; e que estar presente em determinado momento também é uma forma de cuidar de si e dos outros.

O propósito do DESCONecta não é retirar os estudantes do mundo digital, mas ajudá-los a permanecer nele sem perder a capacidade de viver plenamente fora das telas.

Frase para divulgação do projeto

“Desconectar-se da tela por alguns momentos é uma forma de reconectar-se com a vida.”



 

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