Ferramentas Para Intervir em Problemas de Convivência na Escola

 


Ferramentas para intervir em problemas de convivência: círculos restaurativos, assembleias e roda de conversa.

Neste módulo, apresentamos três ferramentas didáticas e práticas que você pode inserir em seu cotidiano com a turma, para equacionar problemas de convivência ocorridos e evitar a incidência de outros novos, favorecendo uma cultura de paz e construindo um clima escolar de acolhimento às diferenças.

São elas:

  • círculos restaurativos;
  • assembleias;
  • rodas de conversa.

Vamos conhecê-las?

Círculos restaurativos: uma ferramenta para atuar diante de problemas de convivência.

 

Os círculos restaurativos são uma ferramenta para favorecer a comunicação e a construção coletiva da paz entre um grupo de pessoas.

De acordo com Kay Pranis, sua origem se confunde com a origem da humanidade, nas infindáveis situações em que as pessoas se reuniam em torno do fogo para resolver problemas e encontrar pontos de vista e valores em comum que permitissem superar desavenças.

Como os círculos restaurativos funcionam?

Essa ferramenta se estrutura conforme a tradição dos povos originários norte-americanos: um bastão de fala era usado para marcar a alternância entre fala e escuta nas trocas que aconteciam na roda.

No livro Processos circulares de construção de paz, Kay Pranis nos explica que os círculos restaurativos são um modelo de comunicação em grupo no qual todos se sentam frente a frente, podem se olhar nos olhos e se escutar com clareza: por isso a imagem do círculo.

Uma pessoa fala de cada vez, e a oportunidade de falar se move sequencialmente ao redor do círculo, usando um objeto de fala. Cada pessoa espera para falar até receber o objeto. Nos círculos restaurativos não se interrompe a fala do outro.

Esses cuidados dão corpo aos princípios de conexão, igualdade e compartilhamento de poder ao longo do círculo, o que cria um espaço seguro para a construção de relacionamentos e para a expressão de sentimentos e opiniões.

Como os facilitadores/mediadores do círculo devem atuar?

É papel dos facilitadores/mediadores projetar o processo de troca de ideias no círculo, relembrando seus passos e fazendo as perguntas planejadas anteriormente – quando se desenhou o círculo –, além de participar como todos os outros envolvidos no círculo.

Dependendo do objetivo do círculo, eles podem falar primeiro em uma rodada para modelar a resposta ou modelar o tipo de compartilhamento.

Também podem falar ao fim da rodada para evitar influenciar a discussão.

Em raras ocasiões, podem falar sem o bastão de fala, mas apenas por motivos relacionados ao processo, não para falar sobre o conteúdo ou para comentar o que alguém disse.

Em que situações os círculos restaurativos costumam ser usados?

Eles podem ser usados em qualquer ambiente e com pessoas de qualquer faixa etária para:

  • Construir relacionamentos baseados no respeito mútuo;
  • Apoiar um indivíduo que passa por problemas ou sofrimentos graves;
  • Favorecer a discussão de um tema importante para o grupo;
  • Tomar decisões coletivamente;
  • Resolver conflitos (entre duas pessoas, em um grupo).

O que você achou da proposta dos círculos restaurativos?

Essa prática tem sido utilizada com sucesso em numerosas escolas ao redor do mundo. Ela promove uma mudança fundamental: tirar o foco de uma justiça retributiva, baseada em punições, para uma justiça restaurativa, baseada na corresponsabilização. Vamos ver mais sobre isso na próxima atividade. 

Quer saber mais sobre os círculos restaurativos?

Indicamos a leitura do livro Processos circulares de construção de paz, de Kay Pranis, Editora Palas Athena, 2010.

Mudança de foco: da justiça retributiva para a justiça restaurativa

Você já reparou que crianças e adolescentes que se envolvem frequentemente em problemas de convivência acabam não se importando com as medidas de punição, como repreensão, suspensão ou convocação dos pais/responsáveis?

Do ponto de vista da construção das bases para a cooperação e para o julgamento moral, vários estudos apontam que a aplicação de punições frequentes aumenta o isolamento dos alunos que são alvos delas e favorecem um raciocínio do tipo “nós contra eles”, em vez de possibilitar o comprometimento com as normas para o bem-estar comum e a cooperação.

Para fazer frente a isso, é necessário uma mudança de cultura, passando da justiça retributiva – pautada em punições e premiações – para uma justiça restaurativa – pautada na cooperação e no comprometimento entre pares.

Peta Blood, Margaret Thorsborne e Brenda Morrison pesquisaram essa mudança cultural em escolas e organizaram dois quadros comparativos, compartilhados a seguir, destacando pontos-chave dessa transformação.

Uma distinção que as autoras fazem é quanto às perguntas centrais que organizam os processos de justiça na cultura tradicional e na cultura restaurativa.

Trata-se de uma mudança de paradigma, que convida os alunos à sensibilização, a se comprometer com os pares, a refletir sobre o dano infligido e a se responsabilizar.

Toda a intervenção é feita para manter o aluno na relação com os pares, em vez de isolá-lo. Corresponsabilização e pertencimento andam lado a lado.

Os círculos restaurativos são essenciais para dar fluxo, sentido e coerência a essa mudança de mentalidade e apoiam a construção dessa nova cultura escolar.

 Ao colocar o foco no pertencimento, a escola também muda sua forma de intervir no momento que as regras são quebradas.

[Os processos de justiça restaurativa agem] por meio da construção de uma comunidade de cuidados em torno dos indivíduos envolvidos, ao mesmo tempo em que fortalecem a responsabilização e busca da reparação. Isso envolve a construção de um entendimento coletivo sobre o que aconteceu, como as pessoas foram afetadas, como se pode reparar o dano causado e quais as maneiras de evitar a probabilidade de novos comportamentos prejudiciais.

Peta Blood, Margaret Thorsborne e Brenda Morrison

Que tal fazer um exercício simples, de reflexão?

Feche os olhos e procure se lembrar de um incidente em que você vivenciou uma transgressão realizada por um aluno ou um colega.

Qual caminho foi tomado na resolução desse incidente: foi uma abordagem retributiva ou restaurativa? Qual é a abordagem mais comum em sua escola?

Passo a passo dos círculos restaurativos

Você já viu o que são os círculos restaurativos e a mudança de cultura que eles convocam na escola.

Agora é a vez de conhecer seu passo a passo!



O exemplo a seguir é de um círculo restaurativo planejado por Kay Pranis e Carolyn Boyes-Watson.

OBJETIVO: conversar a respeito de um incidente entre alunos que causou danos, sofrimento e humilhação a um deles e encontrar uma resposta para esse dano.

MATERIAIS: bastão de fala, sino ou outro instrumento de som, recortes de papel para escrever os valores, quadro ou cartaz para escrever as diretrizes e canetinhas.

PREPARAÇÃO: acomode todos em um círculo de cadeiras, sem qualquer outro móvel. Dê as boas-vindas a todos ao espaço do círculo.

MOMENTO DE ATENÇÃO PLENA/MINDFULNESS: faça uma pausa, respire e escute o som do sino.

ABERTURA: leitura em voz alta. 

Tudo o que a Força do Mundo faz é feito em Círculo. O céu é redondo, e ouvi dizer que a Terra é redonda como uma bola, e as estrelas também. O vento, na sua maior potência, rodopia. Os pássaros fazem seus ninhos em círculo, pois a sua religião é a mesma que a nossa. O sol surge e se põe novamente em círculo. A lua faz o mesmo, e ambos são redondos. Até mesmo as estações formam um grande círculo em sua mudança… e sempre voltam para onde estavam. A vida de uma pessoa é um Círculo de infância a infância, e assim é em tudo onde a força está em movimento.

Black Elk (Alce Negro), 1863-1950*

*Black Elk (Alce Negro) foi um homem sagrado da tribo Oglala Tituwan (Lakota).
Fonte: NEIHARDT, J. G. Black Elk speaks (O Alce Negro fala). 1932. p. 194-95.

EXPLIQUE POR QUE ESTAMOS AQUI: Nós estamos em círculo hoje para encontrar a maneira de deixar as coisas bem novamente depois do que aconteceu.

Alex estava caminhando no corredor da escola quando Anderson deu um encontrão proposital para derrubar o livro que Alex levava. Um grupo de jovens começou a rir quando viram isso acontecer. Quando Alex foi pegar seu livro, Anderson chutou o livro para longe, o que fez os jovens rirem ainda mais. Continuaram gargalhando enquanto Alex foi recuperar seu livro.

Nosso objetivo no círculo é entender como Alex sofreu o impacto pelo que aconteceu e o que podemos fazer para reparar o dano que ocorreu devido a esse incidente. Nós também vamos tentar compreender o que precisamos fazer para evitar que isso ocorra novamente. Eu quero agradecer a cada um de vocês pela disposição de fazerem parte da busca de uma boa solução para sairmos dessa situação difícil.

  • APRESENTE UMA “RODADA”: uma “rodada” é o bastão da palavra passando por cada participante em torno do círculo.
  • O facilitador fará uma pergunta e, como participante, também poderá respondê-la.
  • Ele passará o bastão da palavra para a pessoa que estiver à sua direita ou à esquerda, indicando em que direção o bastão da palavra continuará a ser passado em torno do círculo.
  • Na primeira rodada, os participantes são convidados a dizerem seus nomes, bem como a responderem a qualquer pergunta que tenha sido feita.
  • Lembre-se: sempre é possível que o participante passe o objeto da palavra adiante sem se pronunciar.

RODADA: Quando você está bem, que valor define você?

Peça aos participantes que escrevam o valor no papel e que, depois de o terem compartilhado com o círculo, o coloquem no centro.

Apresente as diretrizes básicas do círculo:

1.         Respeitar o bastão da palavra.

2.         Falar e escutar com respeito.

3.         Falar e escutar com o coração.

4.         Estar presente.

5.         Honrar a privacidade.

Pergunte aos participantes se há outras diretrizes que eles gostariam de acrescentar.

ATIVIDADE PRINCIPAL: usar o processo restaurativo com o objetivo de elaborar um plano para reparar o dano.

RODADA 1: Vocês concordam em seguirmos essas diretrizes em nosso círculo hoje?

RODADA 2: Apresente-se e conte-nos sobre uma coisa em que você é bom.

RODADA 3: Nossas experiências de vida são uma fonte de sabedoria para lidarmos com situações difíceis. Nós vamos buscar nossas próprias histórias para nos orientar. Conte-nos sobre uma vez em que você precisou de muita coragem para fazer a coisa certa.

RODADA 4: Com base no que sabemos, o que aconteceu nesse incidente?

  • Comece a passar o objeto da palavra pela pessoa que sofreu o dano e, depois de falar, ela deve passar para a próxima pessoa, seguindo o círculo.

RODADA 5: Quais foram seus sentimentos e pensamentos quando isso aconteceu ou quando você ficou sabendo o que aconteceu?

RODADA 6: Quem foi afetado pelo que aconteceu e como?

RODADA 7: O que está sendo mais difícil para você? Quais são seus sentimentos e pensamentos a respeito do incidente agora?

RODADA 8: Do que você precisa para que as coisas fiquem bem e você possa seguir em frente depois desse incidente?

  • Comece a passar o bastão da palavra a partir da pessoa que sofreu o dano, seguindo a ordem do círculo.

RODADA 9: Contando com nossos pontos fortes, o que poderia acontecer agora para atender às necessidades e reparar o dano?

  • Anote ideias e sugestões.

RODADA 10: O que mais precisa acontecer para termos certeza de que isso não se repita?

  • Anote as respostas.

RODADA 11: Como deveria ser nosso plano?

  • Comece a passar o objeto da palavra a partir da pessoa que causou o dano, seguindo a ordem do círculo.

RODADA 12: leia o resumo dos acordos. Vocês concordam com esse plano? O que se pode fazer para ter certeza de que esses acordos sejam cumpridos?

RODADA DE CHECK-OUT/FINALIZAÇÃO: Alguém gostaria de dizer mais alguma coisa?

ENCERRAMENTO: Agradeça a todos por terem participado do círculo!

Enganado

Ele desenhou um círculo que me deixou de fora, Herege, rebelde, uma coisa a ignorar.
Mas o amor e eu tivemos a esperteza de ganhar: Nós desenhamos um círculo que o incluiu na roda. Edwin Markham (1852-1940), poeta euroamericano.

Construindo uma proposta de intervenção

No percurso que trilhamos até aqui, você pôde conhecer mais sobre os diferentes problemas de convivência e seu encaminhamento na escola. Além disso, você foi convidado a aprofundar seu olhar sobre os círculos restaurativos, uma ferramenta importante tanto para intervir em situações de  problemas de convivência como para construir um clima escolar que evite o surgimento desses problemas.

O convite, agora, é utilizar esse percurso reflexivo como base para planejar uma proposta de intervenção em uma situação de problema de convivência.

No trecho a seguir, retirado do livro de Marianella Sclavi (2000), a aluna Manuela compartilha com a autora o que a motivou ter um ato de violência contra uma colega.

Nossa proposta é que você leia o relato e anote ideias que poderiam apoiar uma intervenção educativa nessa situação. 

Cito como exemplo a conversa que tive, em preparação para a mediação, com Manuela, a jovem que já bateu numa menina da sua idade e que ameaça bater numa outra. Durante a conversa aplico a escuta ativa, por isso estou disposta a trazer à tona suas emoções, a entendê-la e não a “ensiná-la” a se comportar, o que virá em outras ocasiões.

Eu: “Me falaram que você bateu em uma menina e que ameaçou outra.”

Manuela: “Não era só eu que batia (indica uma amiga que está com ela e quem a acompanhou para a entrevista), ela estava pedindo. Eu disse, o que você se importa com as coisas dos outros? Ela se envolveu em coisas que não lhe diziam respeito, tudo porque queria defender Agnes que é uma ótima p… e eu venci ela porque não deixo passar certas coisas, sou sincera e imediata…”. O tom é muito animado, ela está visivelmente animada. Durante a conversa, ela demonstra que considera sua qualidade de “sincera” e de sê-lo também e principalmente quando “lidera”. Ela não esconde o que sente como os outros fazem!

Eu: “Se bem entendi, você bateu em uma menina e ameaçou outra que ela estava defendendo. Vamos pular por um momento sobre o fato em si, que eu desaprovo, mas por que você está tão brava com Agnes? O quê ela fez pra você?”

Manuela: “Como o que ela fez comigo?! Ela flertou com o namorado da Claudia, que é uma amiga muito querida minha, e quando você faz isso com uma amiga tem que fazer ela pagar… você me pergunta o que eu sinto? Sinto muita raiva até querer gritar e só vou me acalmar quando bater nelas!”

Eu: “Falei com a Agnes e ela dá outra versão da história, você quer ouvir?”

Manuela: “Pode dar outras versões, mas eu sei como foi! Mas você sabe como ela me chamou? Você sabe? Ela me chamou de bastarda! Agora que tive alguma prova… que meu pai…” (eu não esperava isso, mas tomo cuidado para não fazer perguntas).

Eu: “Sim, bastarda não é um termo bonito, mas agora é usado com muita leveza e frequência, não tem mais seu significado original, na verdade é muito menos pesado que os outros.”

A essa altura, Manuela começa a chorar e vai continuar soluçando e assoando o nariz durante todo o tempo da entrevista, continuando com entusiasmo a história.

Manuela: “Sabe, eu achava que meu pai não me amava, ao invés disso ele provou o contrário para mim ficando perto de mim quando este fato gravíssimo me aconteceu e que agora estou contando. Não sou bastarda, longe disso, tenho pais que pensam em mim.”

Manuela vai continuar na narração de seus acontecimentos pessoais para me fazer entender que o episódio com Agnes foi a gota d’água que “quebrou as costas do camelo”, quase um pretexto para desabafar uma amargura profunda que tinha raízes em outros lugares.

Depois de ler o relato, registre os sentimentos e as ideias que a leitura despertou em você e pare por um instante para refletir sobre isso.

Em seguida, imagine que você está diante de uma situação como essa na escola em que trabalha: quais intervenções poderiam ser feitas em uma abordagem restaurativa, constituindo uma cultura de paz na escola?

Para saber mais, você pode consultar:

  • MOURA, Maria Suzana de Souza. A arte de escutar: nuances de um campo de práticas e de conhecimento. Revista Terceiro Incluído, v. 6, n. 1, 2016. Disponível em: https://revistas.ufg.br/teri/article/view/40739. Acesso em: 19 fev. 2023.

Roda de conversa: como envolver os educadores da escola nessa reflexão?


Fonte: Vivescer

Refletindo Sobre Problemas de Convivência Escolares: Indisciplina; Incivilidade; Violência; Transgressão; Bullying/cyberbullying


O que está em jogo em cada cena? Refletindo sobre problemas de convivência escolares.

Este exercício foi pensado para você colocar em prática seus conhecimentos sobre os problemas de convivência estudados. Para cada cena apresentada, anote em seu caderno se ela é um exemplo de:

  • Indisciplina;
  • Incivilidade;
  • Violência;
  • Transgressão;
  • Bullying/cyberbullying.

Cena 1

Algumas meninas se incomodam com a beleza de Fernanda. Além disso, ela tira boas notas e é frequentemente elogiada pelos professores, o que irrita as meninas. Um dia, durante o intervalo das aulas, as meninas agridem Fernanda com palavras e, enquanto algumas a seguram com força (o que deixa um hematoma em seu braço), outras cortam uma mecha grande de seus cabelos e rasgam seus materiais.

Cena 2

A professora de Literatura solicitou aos estudantes que fizessem a leitura prévia de um texto, com uma semana de antecedência, para que pudessem apresentar os principais pontos abordados pelo autor. Entretanto, um grupo de alunos não leu o texto e se mantive reunido, rindo e provocando outros alunos durante a aula.

Cena 3

Algumas alunas da classe de Mariana criaram uma página no Instagram para postar “memes” em que ela aparece com vários garotos.

Cena 4

Mesmo sabendo que não faz parte do uniforme escolar, Arthur vem vestido frequentemente com a camiseta de seu time, o que gera várias anotações no registro da escola.

Cena 5

Diariamente, a professora Diana entra na sala dos professores e diz “bom dia”, porém, mesmo com muitos na sala, ninguém responde.

Agora, compare suas respostas com o gabarito a seguir. O objetivo é que você faça uma autoavaliação sobre a compreensão dos problemas de convivência e suas naturezas, para que você possa, nas próximas atividades, propor intervenções possíveis para cada situação.

Anote 1 ponto para cada cena cuja avaliação você acertou.

Gabarito

Cena 1: ( x ) violência – 1 ponto

Por que se trata de uma cena de violência? Porque não temos mais informações e indícios que permitam definir se ela é um ato pontual – embora grave – de violência ou se é algo recorrente no grupo citado.

Cena 2: ( x ) indisciplina – 1 ponto

Por que se trata de uma cena de indisciplina? Porque o grupo de alunos não realiza uma tarefa acordada na sala de aula e se comporta de forma a atrapalhar o andamento da aula e a aprendizagem de toda a turma.

Cena 3: ( x ) bullying/cyberbullying – 1 ponto

Por que se trata de uma cena de bullying/cyberbullying? Essa cena foi caracterizada como cyberbullying pela manipulação e pela exposição da imagem de Mariana diante das muitas pessoas que acessam essa página do Instagram, causando consequências muito danosas.

Cena 4: ( x ) transgressão – 1 ponto

Por que se trata de uma cena de transgressão? Porque se relaciona com o descumprimento de uma regra da escola: o uso do uniforme.

Cena 5: ( x ) incivilidade – 1 ponto

Por que se trata de uma cena de incivilidade? Porque uma regra da boa educação e da boa convivência cidadã (responder a uma saudação) é ignorada pelo grupo.

 

Clique aqui e acesse os comentários sobre a cena 5

O que são as situações de incivilidade?

São situações muito frequentes nos ambientes escolares e, muitas vezes, podem ser também situações de indisciplina.

As situações de incivilidade referem-se a um conjunto de condutas inadequadas em sala de aula que interferem na qualidade da convivência do grupo, como gritar, andar pela sala, falar quando o professor explica, usar palavras desrespeitosas, provocar os colegas etc.

Alguns autores chamam essas atitudes de microviolências, pois evidenciam que os objetivos educativos das diferentes pessoas da classe não convergem para um ponto comum, ou seja, os objetivos educativos iniciais do professor não são compartilhados ou assumidos por todos os alunos.

Atitudes de incivilidade contribuem fortemente para criar um clima tenso na sala de aula e favorecem relações interpessoais ruins, tanto entre professores e alunos quanto entre os próprios alunos.

Agora, some seus pontos e veja a seguir como está seu conhecimento sobre os problemas de convivência escolares.

5 pontos – UAU! Você conseguiu compreender que os problemas de convivência possuem naturezas distintas. Parabéns! Isso será importante para que você possa entender as diferentes formas de abordá-los e de intervir.

3 ou 4 pontos – OLHA SÓ! Você já identificou boa parte dos problemas de convivência, distinguindo-os, mas seria importante retomar os que não conseguiu identificar.

2 pontos – VAMOS LÁ! É difícil mesmo distinguir os problemas de convivência. Nem sempre, nos primeiros estudos, isso é possível. Por isso, recomendamos que você retome a leitura do texto O desafio da convivência e releia as situações que não conseguiu acertar.

1 ou 0 ponto – PUXA! É importante você retomar o estudo do artigo O desafio da convivência. Sabemos como muitas vezes essa diferenciação é complexa, mas entendemos a necessidade de uma revisão.

Para contribuir com uma maior compreensão do tema, apresentamos para você alguns vídeos curtos em que as pesquisadoras Soraia Campos e Thaís Bozza comentam essas cenas. Vamos assisti-los


Ações interventivas e preventivas para os casos de VIOLÊNCIA.

O vídeo Violência escolar – entrevista Profa. Luciene Tognetta discute a violência escolar e as formas não violentas para a resolução de conflitos. Assista-o e registre em seu caderno os pontos que chamaram sua atenção.


O que são as situações de violência?

“[…] são atos agressivos intencionais que supõem força, coerção, expressão física intensa, imposição e provocam dano e destruição. São aquelas reguladas pelo código penal, ou seja, ações que atacam a lei com uso da força ou ameaça de usá-la” (VINHA, 2017).

Como agir na intervenção e na prevenção?

Situações que envolvem violência exigem um conjunto de ações e, geralmente, necessitam da atuação de outras instituições, como o Conselho Tutelar, o âmbito jurídico, o serviço de apoio à saúde mental, entre outras.

Essas situações requerem múltiplos níveis de intervenção, de forma a atender aos diferentes grupos que estão direta ou indiretamente envolvidos: os sujeitos da situação de violência, os pequenos grupos dos quais fazem parte, seu grupo-classe e a instituição escolar em conjunto, além das famílias.

As ações preventivas se dão no campo educativo ao promover a aprendizagem do respeito, da empatia e da polidez e a prática da justiça restaurativa.

Para intervir em situações de violência, tenha em mente a necessidade de convidar as pessoas à reflexão sobre a violência ao mesmo tempo em que se declara a justiça como valor fundamental para a escola. Para isso, algumas práticas importantes são:

  • Institucionalizar práticas restaurativas (mediação de conflitos, círculos restaurativos);
  • Promover a justiça restaurativa (sanções educativas e por reciprocidade);
  • Propiciar encontros formativos e orientações às famílias (exemplo: regras, sanções, comunicação construtiva, valores da escola);
  • Ter maior controle de armas de fogo e munições;
    criar e fortalecer os Conselhos de Escola (participação da comunidade escolar);
  • Conhecer a ampliação dos sistemas de proteção social básica (CRAS, CREAS) e refletir com a comunidade sobre eles;
  • Promover rodas de conversa com temas que possam despertar no adolescente a sensibilidade moral (temas da atualidade, expressão dos sentimentos);
  • Oferecer programas com oficinas artísticas, culturais e esportivas com adolescentes, fortalecendo ou criando espaços de socialização e participação, e promover o direito à profissionalização como forma de reduzir a exposição dos alunos aos riscos.

Quando o problema de convivência é a TRANSGRESSÃO.

O que são as situações de transgressão?

São comportamentos contrários ao regulamento interno da escola (mas não ilegais do ponto de vista da lei). Nessa perspectiva, as regras não são compreendidas como mecanismos de repreensão ou controle, mas como parâmetros elaborados pelos educadores em conjunto com os alunos.

Esses parâmetros devem ser respeitados no ambiente escolar, pois objetivam a organização dos trabalhos, a justiça, a convivência e a produção escolar de melhor qualidade.

Como agir na intervenção e na prevenção?

Você deve favorecer e fortalecer a cultura do diálogo, promovendo a reflexão sobre a necessidade da existência das regras e de como seria se as pessoas não as cumprissem.

Para os problemas de convivência em que há violação do regimento escolar, sugerimos algumas práticas bem-sucedidas:

  • implantação de espaços institucionais para discussão e construção coletiva das regras, como as assembleias escolares;
  • rodas de conversa para reflexão coletiva sobre as regras não negociáveis e para revisão das regras negociáveis;
  • propostas de reflexão individualizada, nos casos em que a transgressão ocorre individualmente.

Sobre as assembleias escolares, assista ao vídeo Assembleias escolares na EMEF. Maria Pavanatti Fávaro, Campinas, SP, em que alunos, funcionários, professores e gestores contam sobre a organização das assembleias e as mudanças no clima da escola desde a implantação delas. Vale a pena assistir!


E o que fazer com os casos de INCIVILIDADE?

O que são as situações de incivilidade?

São situações muito frequentes nos ambientes escolares e, muitas vezes, podem ser também situações de indisciplina.

As situações de incivilidade referem-se a um conjunto de condutas inadequadas em sala de aula que interferem na qualidade da convivência do grupo, como gritar, andar pela sala, falar quando o professor explica, usar palavras desrespeitosas, provocar os colegas etc.

Alguns autores chamam essas atitudes de microviolências, pois evidenciam que os objetivos educativos das diferentes pessoas da classe não convergem para um ponto comum, ou seja, os objetivos educativos iniciais do professor não são compartilhados ou assumidos por todos os alunos.

Atitudes de incivilidade contribuem fortemente para criar um clima tenso na sala de aula e favorecem relações interpessoais ruins, tanto entre professores e alunos quanto entre os próprios alunos.

Para intervir nas situações de incivilidade, são consideradas práticas bem-sucedidas:

  • Demonstrar autoridade sem ser autoritário ou “um igual”;
  • Aplicar os pressupostos da comunicação não violenta;
  • Ser coerente e “não deixar passar” as situações de incivilidade;
  • Possuir recursos para lidar com os conflitos, sem superdimensioná-los ou subestimá-los;
  • Promover assembleias, rodas de conversa e círculos restaurativos.

·         A INDISCIPLINA é um dos problemas de convivência. E agora?

·         O que são as situações de indisciplina?

·         São situações ligadas à ruptura do contrato pedagógico, ou seja, ações que impedem que o processo de ensino-aprendizagem ocorra.

Como agir na intervenção e na prevenção?

Como a indisciplina está ligada à vinculação dos alunos nos processos de aprendizagem, há uma variedade de estudos que destacam a importância da gestão da sala de aula para estabelecer e manter um ambiente ordenado e atencioso no qual os alunos possam se desenvolver cognitivamente, socialmente, afetivamente, moralmente e fisicamente.

Mas o que é a gestão da sala de aula?

Ela está relacionada com tudo o que o professor faz para organizar os estudantes, o espaço físico, o tempo e os materiais, visando favorecer a aprendizagem. Por isso, ela envolve:

  • Planejamento e organização do espaço da sala de aula, promovendo um ambiente de cooperação;
  • Construção de relacionamentos respeitosos e atenciosos;
  • organização e planejamento do tempo para a realização das atividades;
  • Estímulo à motivação dos alunos;
  • Administração de trabalhos independentes e em grupos. 

Para as situações de indisciplina, é necessário intervir a partir da gestão da sala de aula. Conheça algumas importantes práticas:

  • participação ativa dos alunos durante as atividades, protagonismo;
  • não centralização na figura do professor (ele não deve ser visto como único detentor do saber);
  • aplicação de atividades desafiadoras e significativas para os alunos;
  • alteração de rotinas e propostas para cada realidade;
  • envolvimento dos alunos na seleção de alguns temas, no planejamento e no desenvolvimento das atividades – dar oportunidade de escolhas;
  • realização de assembleias, rodas de conversa e círculos restaurativos.

Muitas vezes, as situações de indisciplina são confundidas com situações de incivilidade. E como diferenciar uma da outra? Confira o vídeo a seguir.


Quando há falta de sensibilidade moral: BULLYING/CYBERBULLYING

O que são as situações de bullying e cyberbullying?

São formas de violência que ocorrem entre pares, praticadas por sujeitos que sabem que suas agressões humilham, expõem ou menosprezam intencionalmente o outro.

Como esses praticantes de bullying ou cyberbullying carecem de sensibilidade moral, eles apresentam dificuldades para perceber que falta um valor moral em suas ações: o respeito.

No espaço virtual, esses sujeitos podem se sentir ainda mais encorajados a praticar atos violentos contra colegas por não estarem frente a frente com seus alvos e por acreditarem na possibilidade do anonimato e na ausência de autoridades que possam eventualmente puni-los.

Como agir na intervenção e na prevenção?

Como a escola deve agir diante das situações de bullying?

Nos dois vídeos a seguir, a professora doutora Luciene Tognetta reflete sobre as ações preventivas e interventivas a serem praticadas na escola a partir de uma perspectiva da construção da moralidade e em respeito à Lei nº 13.663/2018, conhecida como Lei Antibullying.

Para as situações de bullying/cyberbullying, as intervenções necessitam de alguns cuidados e pontos de atenção:

  • É fundamental que os envolvidos sejam atendidos, a princípio, separadamente, ou seja, é necessário ouvir alvos e autores em momentos distintos;

  • A conversa com os alvos tem como objetivos ouvi-los, acolhê-los e fortalecê-los. É indispensável um momento de escuta sem julgamentos, com a intenção de reconhecer seus sentimentos, e a partir daí pensar, em conjunto, medidas que possam ser tomadas para enfrentar a situação;

  • É preciso lembrar que os autores possuem baixos níveis de empatia e sensibilidade e, por isso, necessitam de formação e ajuda;

  • Nesse sentido, o papel da escola com os autores é fazer com que consigam se colocar no lugar das vítimas e refletir como se sentiriam caso alguém fizesse o mesmo com eles. Em seguida, deve-se realizar o processo de conscientização e reparação. É imprescindível que os autores proponham alternativas para reparar o dano causado;

  • Também são necessárias ações com os espectadores. É preciso que sejam chamados a se posicionar contra a agressão quando esta ocorre em público;

  • A escola também deve desenvolver propostas de atividades para que os alunos reflitam sobre o bullying/cyberbullying (sem expor os envolvidos diretos na situação) visando favorecer a indignação, a sensibilidade com a dor do outro e a atuação contra a manutenção do bullying/cyberbullyin;

  • Criação do projeto antibullying envolvendo toda a comunidade, com objetivo de prevenir essas formas de violência. A criação do projeto antibullying diz respeito ao cumprimento da Lei nº 13.663/2018, conhecida como Lei Antibullying, que prevê que as escolas desenvolvam medidas de conscientização, prevenção e combate ao bullying.


Fonte: Vivescer

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