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A Teoria das Janelas Quebradas Invertida: Como Pequenos Atos Mudam o Mundo

 


A Teoria das Janelas Quebradas Invertida: Como Pequenos Atos Mudam o Mundo

Por: Jorge Schemes*

Resumo

A Teoria das Janelas Quebradas, formulada por James Q. Wilson e George L. Kelling em 1982, estabelece que a omissão diante de pequenas desordens urbanas propaga a criminalidade e o caos social. Este artigo propõe a aplicação inversa deste axioma sociológico: o Efeito da Janela Consertada ou Efeito Gentileza. A hipótese central defende que pequenas atitudes positivas e intencionais no cotidiano desencadeiam um efeito em cadeia que fortalece a coesão social, mitiga o estresse coletivo e impulsiona transformações profundas dos microambientes individuais às estruturas globais.

Neurodiversidade: A Importância da Inclusão



O termo neurodiversidade foi cunhado no final dos anos 1990. A socióloga australiana Judy Singer, que está no espectro do autismo, a usou para descrever condições mentais. Essas como TDAH, transtorno do espectro autista (TEA) e dislexia.

A esperança e objetivo de Singer eram desviar o foco do discurso sobre as formas de pensar. Enquanto aprendia da rotineira ladainha de “déficits”, “distúrbios” e “deficiências”.

Rapidamente, o termo foi adotado por ativistas na comunidade autista e, logo depois, chegou a outras comunidades. Seus defensores têm aplicado o conceito para combater o estigma e promover a inclusão nas escolas e no local de trabalho.

Na verdade, o conceito de neurodiversidade desafia as visões prevalecentes das diferenças humanas neurológicas como inerentemente patológicas. Assim, afirmando que tais diferenças devem ser reconhecidas e respeitadas como uma categoria social. Em pé de igualdade com gênero, etnia, orientação sexual e outras características culturais, biológicos e psicossociais. Esses que formam identidades dentro de uma determinada sociedade.

Para crianças com diferenças de aprendizado e raciocínio, por exemplo, a ideia de neurodiversidade tem benefícios reais. Ela pode ajudar as crianças (e os pais) a enquadrar seus desafios como diferenças, e não como déficits. Além disso, pode lançar luz sobre abordagens instrucionais que podem ajudar a destacar os pontos fortes específicos das crianças. Auxiliando seus companheiros de interação social na escola a aceitarem as diferenças que acontecem no cérebro.

Neurodiversidade como movimento social

O Movimento de Neurodiversidade é um movimento social que busca direitos civis, igualdade, respeito e inclusão social plena para os neurodivergentes. Um exemplo disso é o Autism Rights Movement (ARM).

O ARM é um movimento social que incentiva as pessoas autistas, seus cuidadores e a sociedade a adotar uma posição amigável à neurodiversidade. Dessa forma, aceitando o autismo como uma variação no funcionamento do cérebro, e não como um transtorno mental a ser curado. Ou seja, acreditar que cada pessoa é única, e não deve haver um padrão de funcionamento cognitivo.

Frequentemente, a neurodiversidade é considerada um movimento de justiça social. Essa que se concentra em celebrar a neurodiversidade junto com a biodiversidade e a diversidade cultural. O movimento pede para não verem condições neurológicas diversas como deficiências, mas sim como variações da mente humana. Além disso, acredita-se que as terapias e medicamentos para alterar ou monitorar o comportamento de um indivíduo são desnecessários e antiéticos.

O que é neurodivergente?

Neurodivergente é o indivíduo que possui uma configuração neurológica atípica – ou seja, diferente do padrão esperado pela sociedade. Além dos autistas, enquadram-se na definição outras pessoas com:

  • Dislexia;
  • Transtorno da coordenação motora ou dispraxia;
  • Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH);
  • Déficit de aprendizagem (que dificulta leitura e escrita);
  • Síndrome de tourette;
  • Transtornos psicológicos, como o transtorno dissociativo de identidade.

Em suma, uma pessoa neurodivergente é definida como aquela cujo desenvolvimento e estado neurológico são atípicos e geralmente vistos como anormais ou extremos. O termo foi cunhado no movimento da neurodiversidade como um oposto para "neurotípico", cujo significado veremos a seguir.

Neuroatípicas ou neurodivergentes?

Neurotípico, neurotípica ou neurotipique são termos que se opõem a neurodivergente. Neurotípico significa ser "neurologicamente típico", ou seja, dentro da faixa típica (média) da neurologia humana. Um indivíduo neurotípico é aquele que possui desenvolvimento neurológico considerado “típico”, “normal” ou “padrão” pela sociedade.

O futuro da neurodiversidade

A declaração Autism Employment Gap descobriu que apenas 16% dos adultos no espectro autista estão trabalhando em tempo integral. E, além disso, 77% dos desempregados querem trabalhar.

O interesse no conceito relativamente novo de neurodiversidade criou positivamente um maior nível de consciência social. Principalmente sobre os pontos fortes e os desafios que as pessoas com diferenças neurológicas enfrentam. Os desenvolvimentos no local de trabalho são evidentes, criando uma força de trabalho mais diversificada e igualitária.

Em 2004, Thorkil Sonne fundou a empresa de TI, Specialisterne. Motivado pelo diagnóstico de autismo em seu terceiro filho, o empresário desenvolveu diversos métodos para entrevistar, acomodar e descobrir habilidades neurodiversas. A partir disso, foi criada a Specialisterne Foundation, que auxilia outras empresas na contratação de pretendentes neurodivergentes. 

De acordo com a Comissão Europeia, existe uma escassez de 800 mil trabalhadores na área de TI na União Europeia. A contratação de pessoas neurodivergentes seria uma solução para esses casos. Uma vez que a área de TI e suas tarefas correspondem às habilidades desses indivíduos.

O professor da Ivey Business School do Canadá, Rob Austin, estuda a inclusão de pessoas neurodivergentes em locais de trabalho. Ele assegura que empresas estão se beneficiando com programas como a Specialisterne Foundation.

Para Austin, casos de neurodivergência apresentam inovação em ambientes profissionais. Estes profissionais pensam diferentemente dos empregados neurotípicos, sugerindo ideias e perspectivas diferentes em soluções de problemas.

No entanto, ainda há espaço para uma maior compreensão, consciência e aceitação da neurodiversidade em nossa sociedade. O movimento enfatiza que o objetivo não deve ser "curar" pessoas cujo cérebro funciona de forma diferente. O objetivo é adotá-los como parte do mainstream. E isso significa fornecer o apoio necessário para que possam participar plenamente como membros da comunidade.

Como posso apoiar?

Pessoas consideradas neurodivergentes geralmente sofrem de problemas de saúde mental. Incluindo depressão e estresse, e muitas vezes podem ser vítimas de bullying e marginalização social. Para evitar isso no seu trabalho, escola ou universidade, ajude a criar um ambiente acolhedor e motivador.

Você pode, por exemplo, participar de atividades do dia de conscientização. Ou simplesmente dar o exemplo diário de respeito, igualdade e inclusão.

O aumento da neurodiversidade dentro das organizações pode aumentar a base de habilidades

Uma pesquisa revelou a importância de promover a inclusão e o respeito à neurodiversidade dentro das organizações. Estima-se que uma em cada sete pessoas no Reino Unido seja neurodivergente. No entanto, sua representação dentro do mercado de trabalho é pequena, em grande parte por causa do preconceito social.

Segundo o estudo, a ameaça do estereótipo vem antes da ocorrência real de um estereótipo. Também, o processo de descoberta começa antes que os indivíduos ingressem em uma organização. Na verdade, pessoas neurodiversas temem ingressar em uma organização com medo do preconceito – e, muitas vezes, hesitam em revelar sua condição.

Os pesquisadores ficaram surpresos com a falta de empresas que aproveitam as habilidades únicas de pessoas diferentes da "norma". Principalmente em uma economia global competitiva.

No mundo todo, o neurodivergente representa uma fonte inexplorada de habilidades únicas que podem ser uma grande vantagem para as organizações. No entanto, a pesquisa revela um paradoxo potencial. Esse em que uma organização não consegue identificar aquelas que trariam maior benefício para a força de trabalho. Isso se o indivíduo neurodivergente dentro dessa força de trabalho estiver relutante em se revelar por causa do estigma dos estereótipos.

Fonte: MSN

Assédio Moral Contra Professores na Escola: Suas Implicações e Garantia de Direitos

 


Assédio Moral contra Professores na Escola: Suas Implicações e Garantia de Direitos

Por: Jorge Schemes

Resumo

O assédio moral no ambiente escolar tem se tornado uma preocupação crescente, especialmente quando dirigido aos professores. Este artigo busca explorar a definição, causas e consequências do assédio moral contra professores, fundamentado em autores renomados como Marie-France Hirigoyen e Heinz Leymann. Além disso, apresenta um passo a passo para que os professores vítimas possam buscar e garantir seus direitos individuais. 

Introdução

O assédio moral, também conhecido como bullying ou mobbing, é uma prática de violência psicológica que visa desestabilizar emocionalmente a vítima. No ambiente escolar, professores têm sido alvo frequente desse tipo de violência, o que pode comprometer não apenas a saúde mental dos profissionais, mas também a qualidade da educação oferecida. Marie-France Hirigoyen, em seu livro "Assédio Moral: A Violência Perversa no Cotidiano", descreve o assédio moral como uma agressão insidiosa e repetitiva, que busca desqualificar e isolar a vítima (Hirigoyen, 2002). Heinz Leymann, pioneiro nos estudos sobre mobbing, define essa prática como uma forma sistemática de perseguição psicológica (Leymann, 1990).

Revisão de Literatura

Definição e Caracterização do Assédio Moral

Segundo Hirigoyen (2002), o assédio moral se manifesta através de comportamentos abusivos, sejam verbais, não-verbais ou físicos, que ocorrem de forma repetitiva e prolongada. Esses comportamentos incluem críticas constantes, isolamento social, sobrecarga de trabalho, e outros métodos de humilhação e intimidação. Leymann (1990) reforça que o assédio moral é caracterizado pela repetição sistemática dessas ações, com o objetivo de eliminar a vítima do ambiente de trabalho.

Causas do Assédio Moral contra Professores

Diversos fatores contribuem para o assédio moral contra professores, incluindo questões organizacionais, como a falta de suporte administrativo e políticas inadequadas de gestão de conflitos (Hirigoyen, 2002). Além disso, a desvalorização da profissão docente e a pressão por resultados podem criar um ambiente propício ao surgimento de práticas abusivas (Leymann, 1990).

Consequências do Assédio Moral

As consequências do assédio moral são graves e abrangem tanto a saúde física quanto mental dos professores. Estudos indicam que vítimas de assédio moral sofrem de estresse crônico, depressão, ansiedade e problemas psicossomáticos (Hirigoyen, 2002). Além disso, o ambiente escolar como um todo é impactado negativamente, com a deterioração das relações interpessoais e a queda na qualidade do ensino (Leymann, 1990).

Passo a Passo para Buscar e Garantir Direitos Individuais

1. Documentação dos Incidentes

O primeiro passo é documentar todos os incidentes de assédio moral. Isso inclui anotar datas, horas, locais, descrição dos eventos e possíveis testemunhas. Fotografias, e-mails e outras evidências materiais também devem ser reunidos.

2. Relato ao Supervisor Imediato

Os professores devem relatar os incidentes ao supervisor imediato ou à administração escolar. É importante formalizar a queixa por escrito, mantendo uma cópia para si mesmo.

3. Consulta a um Advogado Especializado

Buscar orientação de um advogado especializado em direito trabalhista ou direito educacional é essencial. O advogado poderá fornecer conselhos sobre os direitos legais e os passos necessários para buscar reparação.

4. Denúncia aos Sindicatos e Organizações de Classe

Os sindicatos e organizações de classe oferecem suporte aos professores vítimas de assédio moral. Eles podem intermediar negociações e oferecer apoio jurídico e psicológico.

5. Acionamento de Órgãos Governamentais

Se necessário, os professores devem acionar órgãos governamentais, como o Ministério da Educação e o Ministério Público do Trabalho, que podem investigar e aplicar sanções apropriadas.

6. Ação Judicial

Em casos extremos, pode ser necessário mover uma ação judicial contra os agressores e/ou a instituição de ensino. O advogado especializado será responsável por encaminhar o processo judicial.

7. Cuidado com a Saúde Mental

Por fim, é crucial que os professores cuidem de sua saúde mental. Procurar apoio psicológico, como terapia, e buscar redes de apoio são passos fundamentais para a recuperação.

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Conclusão

O assédio moral contra professores é uma prática que compromete não apenas a integridade dos profissionais, mas também a qualidade da educação. Através de uma abordagem sistemática e informada, é possível documentar os incidentes, buscar apoio e garantir os direitos individuais. Este artigo contribui para o entendimento do fenômeno e oferece um guia prático para que as vítimas possam agir de forma efetiva.

Referências

Hirigoyen, M. F. (2002). Assédio Moral: A Violência Perversa no Cotidiano. Bertrand Brasil.

Leymann, H. (1990). Mobbing and Psychological Terror at Workplaces. Violence and Victims, 5(2), 119-126.

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