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27 setembro 2007

Gravidez Precoce

Gravidez precoce já representa mais de 15% dos partos no país:
Até os 16 anos, gestação pode causar hipertensão e ruptura de vagina.

Por: Camila Vieira


Jovens e adolescentes grávidas com menos de 19 anos representam 15,8% do total de partos de nascidos vivos no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, 479.511 mulheres grávidas com menos de 19 anos foram atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2005, sendo que 26,7 mil tinham entre 10 e 14 anos. A gravidez precoce, em especial nas jovens com menos de 16 anos, pode desencadear complicações como aborto espontâneo, parto prematuro, ruptura da vagina e dos músculos do períneo, hipertensão e crises de depressão. Encarada como um problema de saúde pública, a gestação durante esse período da vida da mulher foi lembrada, ontem, no Dia Mundial da Prevenção a Gravidez na Adolescência.


Com o objetivo de estimular a conscientização de jovens e adolescentes, multiplicadores da campanha Viva sua vida antes de iniciar outra distribuíram 50 mil cartões-postais e 30 mil folhetos em alguns estados do Brasil. O ginecologista e obstetra da maternidade do Instituto de Perinatologia da Bahia (Iperba) Henrique Amorim considera que na maioria dos casos, além do despreparo orgânico, as adolescentes não têm condições financeiras, nem emocionais de ter um filho. “O momento não é ideal em todos os sentidos”, reflete o especialista, acrescentando que a melhor idade para a mulher engravidar é entre os 20 e 30 anos.


No que diz respeito às complicações físicas, Amorim assinala que os riscos de pré-eclâmpsia (complicação provocada pelo desenvolvimento de hipertensão na gravidez e que pode levar à morte a mãe e o bebê) são maiores durante a adolescência. “O sistema circulatório ainda não está completamente pronto para encarar uma gravidez, por isso, as adolescentes aumentam as chances de desenvolver esse quadro, que pode ser fatal para ambos”, explicou o especialista.


Embora aponte os obstáculos de uma gestação na adolescência, o especialista ressalta que, quando ocorre a gravidez nesse período, a realização de um pré-natal com acompanhamento de um ginecologista, psicólogo e nutricionista é de fundamental importância. “É essencial que uma jovem receba todo suporte necessário, afinal não deixa de ser uma gravidez de risco. Em muitos casos, as adolescentes sofrem com depressão, e essa é uma doença que precisa ser tratada com muito cuidado”, salientou o obstetra.


Desorientação - M.S.N, 15 anos, está grávida de seis meses. A adolescente desenvolveu hipertensão e corre riscos de uma pré-eclâmpsia. Completamente perdida, ela afirma que não sabe como vai criar o filho, já que o pai, também adolescente (17 anos), desapareceu. “Nunca imaginei que isso pudesse acontecer, mas não consegui tirar (fazer um aborto). Tive medo!”, confessou a jovem. Ela engrossa as estatísticas do Ministério da Saúde, corroborando que na maioria dos casos a gravidez na adolescência ocorre entre a 1ª e a 5ª relação sexual. Ela conta que engravidou na terceira vez que transou com o até então namorado.


Amorim destaca que a vida sexual tem sido iniciada cada vez mais cedo. Entretanto, esse comportamento não deve estar ligado a mais uma precocidade: a gravidez. Para evitar que isso aconteça, o ginecologista recomenda que as adolescentes procurem orientação médica, para fazer uso de métodos contraceptivos. “Além do uso imprescindível do preservativo, as jovens devem utilizar um outro método, que vai depender da indicação do especialista”, sugeriu.

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