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11 agosto 2006

POLÍTICA NACIONAL ANTIDROGAS - SENAD


POLÍTICA NACIONAL ANTIDROGAS


O Conselho Nacional Antidrogas – Conad – aprovou a nova Política Nacional sobre Drogas
no último dia 27/10/2005, resultado do realinhamento da Política Nacional Antidrogas vigente até então.
Por meio da realização de seis fóruns regionais e um nacional, representantes de diversos
setores do governo e da sociedade decidiram pelas alterações incorporadas nesta nova versão. O
Excelentíssimo Senhor Presidente da República, por meio de mensagem, destacou a participação da Secretaria Nacional Antidrogas, do Gabinete de Segurança Institucional, na articulação da
sociedade com o objetivo de promover e facilitar o processo de realinhamento da Política
Nacional. Destacou, ainda, a co-responsabilidade do governo e da sociedade no trabalho de
redução da demanda e da oferta de drogas em nosso país.
Veja abaixo a íntegra da publicação no Diário Oficial da União de 28/10/2005.
Gabinete de Segurança Institucional
Conselho Nacional Antidrogas
Resolução nº3/GSIPR/CH/Conad, de 27 de outubro de 2005
Aprova a Política Nacional Sobre Drogas
O Presidente do Conselho Nacional Antidrogas – Conad –, no uso de suas atribuições, tendo em
vista o disposto nos arts. 5º do Decreto nº 3.696, de 21 de dezembro de 2000, e 18 do Regimento Interno, e em decorrência do processo que realinhou a Política Nacional Antidrogas até então vigente, resolve:
Art. 1º – Fica aprovada a Política Nacional sobre Drogas, na forma do anexo a esta Resolução,
tendo em vista deliberação do Conselho Nacional Antidrogas em reunião de 23 de maio de 2005.
Art. 2º – Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Jorge Armando Felix
Política Nacional sobre Drogas
Brasília, 2005.


PRESSUPOSTOS DA POLÍTICA NACIONAL SOBRE DROGAS


– Buscar, incessantemente, atingir o ideal de construção de uma sociedade protegida do uso de
drogas ilícitas e do uso indevido de drogas lícitas.
– Reconhecer as diferenças entre o usuário, a pessoa em uso indevido, o dependente e o
traficante de drogas, tratando-os de forma diferenciada.
– Tratar de forma igualitária, sem discriminação, as pessoas usuárias ou dependentes de drogas
lícitas ou ilícitas.
– Buscar a conscientização do usuário e da sociedade em geral de que o uso de drogas ilícitas
alimenta as atividades e organizações criminosas, que têm, no narcotráfico, sua principal fonte de recursos financeiros.
– Garantir o direito de receber tratamento adequado a toda pessoa com problemas decorrentes do uso indevido de drogas.
– Priorizar a prevenção do uso indevido de drogas, por ser a intervenção mais eficaz e de menor
custo para a sociedade.
– Não confundir as estratégias de redução de danos com o incentivo ao uso indevido de drogas,
pois se trata de uma estratégia de prevenção.
– Intensificar, de forma ampla, a cooperação nacional e internacional, participando de fóruns sobre drogas, bem como estreitando as relações de colaboração multilateral, respeitando a soberania nacional.
– Reconhecer a corrupção e a lavagem de dinheiro como as principais vulnerabilidades a serem
alvo das ações repressivas, visando ao desmantelamento do crime organizado, em particular do
relacionado com as drogas.
– Elaborar planejamento que permita a realização de ações coordenadas dos diversos órgãos
envolvidos no problema, a fim de impedir a utilização do território nacional para o cultivo, a
produção, a armazenagem, o trânsito e o tráfico de drogas ilícitas.
– Garantir, incentivar e articular, por intermédio do Conselho Nacional Antidrogas – Conad –, o
desenvolvimento de estratégias de planejamento e avaliação nas políticas de educação,
assistência social, saúde e segurança pública, em todos os campos relacionados às drogas.
– Garantir ações para reduzir a oferta de drogas, por intermédio de atuação coordenada e
integrada dos órgãos responsáveis pela persecução criminal, em níveis federal e estadual,
visando realizar ações repressivas e processos criminais contra os responsáveis pela produção e
pelo tráfico de substâncias proscritas, de acordo com o previsto na legislação.
– Fundamentar, no princípio da responsabilidade compartilhada, a coordenação de esforços entre os diversos segmentos do governo e da sociedade, em todos os níveis, buscando efetividade e sinergia no resultado das ações, no sentido de obter redução da oferta e do consumo de drogas, do custo social a elas relacionado e das conseqüências adversas do uso e do tráfico de drogas ilícitas e do uso indevido de drogas lícitas.
– Garantir a implantação, efetivação e melhoria dos programas, ações e atividades de redução da demanda (prevenção, tratamento, recuperação e reinserção social) e de danos, levando em
consideração os indicadores de qualidade de vida, respeitando potencialidades e princípios éticos. – Incentivar, orientar e propor o aperfeiçoamento da legislação, para garantir a implementação e a fiscalização das ações decorrentes desta política.
– Pesquisar, experimentar e implementar novos programas, projetos e ações, de forma
pragmática e sem preconceitos, visando à prevenção, ao tratamento, à reinserção psicossocial, à
redução da demanda, da oferta e de danos, com fundamento em resultados científicos
comprovados.
– Garantir que o Sistema Nacional Antidrogas – Sisnad – seja implementado por meio dos
conselhos em todos os níveis de governo e que esses possuam caráter deliberativo, articulador,
normativo e consultivo, assegurando-se a composição paritária entre sociedade civil e governo.
– Reconhecer o uso irracional das drogas lícitas como fator importante na indução de
dependência, devendo, por esse motivo, ser objeto de um adequado controle social,
especialmente nos aspectos relacionados à propaganda, à comercialização e à acessibilidade de
populações vulneráveis, tais como crianças e adolescentes.
– Garantir dotações orçamentárias permanentes para o Fundo Nacional Antidrogas – Funad –, a fim de implementar ações propostas pela Política Nacional sobre Drogas, com ênfase para aquelas relacionadas aos capítulos da PNAD: prevenção, tratamento e reinserção social, redução
de danos, redução da oferta, estudos e pesquisas.


OBJETIVOS DA POLÍTICA NACIONAL SOBRE DROGAS


– Conscientizar a sociedade brasileira sobre os prejuízos sociais e as implicações negativas
representadas pelo uso indevido de drogas e suas conseqüências.
– Educar, informar, capacitar e formar pessoas em todos os segmentos sociais para a ação
efetiva e eficaz de redução da demanda, da oferta e de danos, fundamentada em conhecimentos
científicos validados e em experiências bem-sucedidas, adequadas à nossa realidade.
– Conhecer, sistematizar e divulgar as iniciativas, ações e campanhas de prevenção do uso
indevido de drogas, em uma rede operativa, com a finalidade de ampliar sua abrangência e
eficácia.
– Implantar e implementar rede de assistência integrada, pública e privada, intersetorial, para
pessoas com transtornos decorrentes do consumo de substâncias psicoativas, fundamentada em
conhecimento validado, de acordo com a normatização funcional mínima, integrando os esforços
desenvolvidos no tratamento.
– Avaliar e acompanhar sistematicamente os diferentes tratamentos e iniciativas terapêuticas
fundamentados em diversos modelos, com a finalidade de promover aqueles que obtiverem
resultados favoráveis.
– Reduzir as conseqüências sociais e de saúde decorrentes do uso indevido de drogas para a
pessoa, a comunidade e a sociedade.
– Difundir o conhecimento sobre os crimes, delitos e infrações relacionados às drogas ilícitas e
lícitas, prevenindo-os e coibindo-os por meio da implementação e efetivação de políticas públicas para a melhoria da qualidade de vida do cidadão.
– Combater o tráfico de drogas e os crimes conexos, em todo o território nacional, dando ênfase
às áreas de fronteiras terrestres, aéreas e marítimas, por meio do desenvolvimento e da
implementação de programas socioeducativos específicos, multilaterais, que busquem a
promoção da saúde e a reparação dos danos causados à sociedade.
– Assegurar, de forma contínua e permanente, o combate à corrupção e à lavagem de dinheiro,
como forma de estrangular o fluxo lucrativo desse tipo de atividade ilegal, que diz respeito ao
tráfico de drogas.
– Manter e atualizar, de forma contínua, o Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas – Obid –, para fundamentar, dentro de outras finalidades, o desenvolvimento de programas e
intervenções dirigidos à redução de demanda (prevenção, tratamento e reinserção psicossocial),
de danos e de oferta de drogas, resguardados o sigilo e a confidencialidade, e seguidos os
procedimentos éticos de pesquisa e armazenamento de dados.
– Garantir rigor metodológico às atividades de redução da demanda, da oferta e de danos, por
meio da promoção de levantamentos e pesquisas sistemáticos, avaliados por órgão de referência
da comunidade científica.
– Garantir a realização de estudos e pesquisas visando à inovação dos métodos e programas de
redução da demanda, da oferta e dos danos sociais e à saúde.
– Instituir, em todos os níveis de governo, com rigor metodológico, sistema de planejamento,
acompanhamento e avaliação das ações de redução da demanda, da oferta e dos danos sociais e
à saúde.
– Assegurar, em todos os níveis de governo, dotação orçamentária e efetivo controle social sobre os gastos e ações preconizadas nesta política, em todas as etapas de sua implementação,
contemplando os preceitos estabelecidos pelo Conad e incentivando a participação de toda a
sociedade.


1. PREVENÇÃO


1.1. Orientação geral
1.1.1. A efetiva prevenção é fruto do comprometimento, da cooperação e da parceria entre os
diferentes segmentos da sociedade brasileira e dos órgãos governamentais, federal, estaduais e
municipais, fundamentada na filosofia da responsabilidade compartilhada, com a construção de
redes sociais que visem à melhoria das condições de vida e à promoção geral da saúde.
1.1.2. A execução desta política no campo da prevenção deve ser descentralizada nos municípios,
com o apoio dos conselhos estaduais de políticas públicas sobre drogas e da sociedade civil
organizada, adequada às peculiaridades locais e priorizando-se as comunidades mais
vulneráveis, identificadas por diagnóstico. Para tanto, os municípios devem ser incentivados a
instituir, fortalecer e divulgar seu Conselho Municipal sobre Drogas.
1.1.3. As ações preventivas devem ser pautadas em princípios éticos e na pluralidade cultural,
orientando-se para a promoção de valores voltados à saúde física e mental, individual e coletiva,
ao bem-estar, à integração socioeconômica e à valorização das relações familiares, considerando
seus diferentes modelos.
1.1.4. As ações preventivas devem ser planejadas e direcionadas ao desenvolvimento humano,
ao incentivo à educação para a vida saudável, ao acesso aos bens culturais, incluindo a prática de
esportes, cultura e lazer, à socialização do conhecimento sobre drogas, com embasamento
científico e ao fomento do protagonismo juvenil, da participação da família, da escola e da
sociedade na multiplicação dessas ações.
1.1.5. As mensagens utilizadas em campanhas e programas educacionais e preventivos devem
ser claras, atualizadas e fundamentadas cientificamente, considerando as especificidades do
público-alvo, a diversidade cultural e a vulnerabilidade, respeitando as diferenças de gênero, raça e etnia.
1.2. Diretrizes
1.2.1. Garantir aos pais e/ou responsáveis, representantes de entidades governamentais e nãogovernamentais,
iniciativa privada, educadores, religiosos, líderes estudantis e comunitários,
conselheiros estaduais e municipais e outros atores sociais capacitação continuada sobre
prevenção do uso indevido de drogas lícitas e ilícitas, objetivando engajamento no apoio às
atividades preventivas, com base na filosofia da responsabilidade compartilhada.
1.2.2. Dirigir as ações de educação preventiva, de forma continuada, com foco no indivíduo e em
seu contexto sociocultural, buscando desestimular o uso inicial de drogas, incentivar a diminuição do consumo e diminuir os riscos e danos associados ao seu uso indevido.
1.2.3. Promover, estimular e apoiar a capacitação continuada, o trabalho interdisciplinar e
multiprofissional, com a participação de todos os atores sociais envolvidos no processo,
possibilitando que esses se tornem multiplicadores, com o objetivo de ampliar, articular e
fortalecer as redes sociais, visando ao desenvolvimento integrado de programas de promoção
geral à saúde e de prevenção.
1.2.4. Manter, atualizar e divulgar um sistema de informações de prevenção sobre o uso indevido de drogas, integrado, amplo e interligado ao Obid, acessível a toda a sociedade, que favoreça a formulação e a implementação de ações de prevenção, incluindo o mapeamento e a divulgação de "boas práticas" existentes no Brasil e em outros países.
1.2.5. Incluir processo de avaliação permanente das ações de prevenção realizadas pelos
governos federal, estaduais e municipais, observando-se as especificidades regionais.
1.2.6. Fundamentar campanhas e programas de prevenção em pesquisas e levantamentos sobre
o uso de drogas e suas conseqüências, de acordo com a população-alvo, respeitadas as
características regionais e as peculiaridades dos diversos segmentos populacionais,
especialmente nos aspectos de gênero e cultura.
1.2.7. Propor a inclusão, na educação básica e superior, de conteúdos relativos à prevenção do
uso indevido de drogas.
1.2.8. Priorizar ações interdisciplinares e contínuas, de caráter preventivo e educativo, na
elaboração de programas de saúde para o trabalhador e seus familiares, oportunizando a
prevenção do uso indevido de drogas no ambiente de trabalho, em todos os turnos, visando à
melhoria da qualidade de vida, baseadas no processo da responsabilidade compartilhada, tanto
do empregado como do empregador.
1.2.9. Recomendar a criação de mecanismos de incentivo para que empresas e instituições
desenvolvam ações de caráter preventivo e educativo sobre drogas.


2. TRATAMENTO, RECUPERAÇÃO E REINSERÇÃO SOCIAL


2.1. Orientação geral
2.1.1. O Estado deve estimular, garantir e promover ações para que a sociedade (incluindo
usuários, dependentes, familiares e populações específicas) possa assumir, com responsabilidade
ética, o tratamento, a recuperação e a reinserção social, apoiada técnica e financeiramente, de
forma descentralizada, pelos órgãos governamentais, nos níveis municipal, estadual e federal, por organizações não-governamentais e entidades privadas.
2.1.2. O acesso às diferentes modalidades de tratamento e recuperação, reinserção social e
ocupacional deve ser identificado, qualificado e garantido como um processo contínuo de
esforços, disponibilizados de forma permanente para usuários, dependentes e seus familiares,
com investimento técnico e financeiro, de forma descentralizada.
2.1.3. As ações de tratamento, recuperação, reinserção social e ocupacional devem ser
vinculadas a pesquisas científicas, avaliando-as, incentivando-as e multiplicando aquelas que
tenham obtido resultados mais efetivos, com garantia de alocação de recursos técnicos e
financeiros para a realização dessas práticas e pesquisas, promovendo o aperfeiçoamento das
demais.
2.1.4. Na etapa da recuperação, devem-se destacar e promover ações de reinserção familiar,
social e ocupacional, em razão de sua constituição como instrumento capaz de romper o ciclo
consumo/tratamento para grande parte dos envolvidos, por meio de parcerias e convênios com
órgãos governamentais e organizações não-governamentais, assegurando a distribuição
descentralizada de recursos técnicos e financeiros.
2.1.5. No Orçamento Geral da União devem ser previstas dotações orçamentárias, em todos os
ministérios responsáveis pelas ações da Política Nacional sobre Drogas, que serão distribuídas de forma descentralizada, com base em avaliação das necessidades específicas para as áreas de
tratamento, recuperação, redução de danos, reinserção social e ocupacional, estimulando o
controle social e a responsabilidade compartilhada entre governo e sociedade
2.1.6. A capacitação continuada, avaliada e atualizada de todos os setores governamentais e nãogovernamentais envolvidos com tratamento, recuperação, redução de danos, reinserção social e ocupacional dos usuários, dependentes e seus familiares deve ser garantida, inclusive com recursos financeiros, para multiplicar os conhecimentos na área.
2.2. Diretrizes
2.2.1. Promover e garantir a articulação e a integração, em rede nacional, das intervenções para
tratamento, recuperação, redução de danos, reinserção social e ocupacional (Unidade Básica de
Saúde, ambulatórios, Centro de Atenção Psicossocial, Centro de Atenção Psicossocial, Álcool e
Drogas, comunidades terapêuticas, grupos de auto-ajuda e ajuda mútua, hospitais gerais e
psiquiátricos, hospital-dia, serviços de emergências, corpo de bombeiros, clínicas especializadas,
casas de apoio e convivência e moradias assistidas), com o Sistema Único de Saúde – SUS – e o
Sistema Único de Assistência Social – Suas –, para o usuário e seus familiares, por meio de
distribuição descentralizada e fiscalizada de recursos técnicos e financeiros.
2.2.2. Desenvolver e disponibilizar banco de dados, com informações científicas atualizadas, para
subsidiar o planejamento e a avaliação das práticas de tratamento, recuperação, redução de
danos, reinserção social e ocupacional sob a responsabilidade de órgãos públicos, privados ou de
organizações não-governamentais, devendo essas informações ser de abrangência regional
(estaduais e municipais), ter ampla divulgação, fácil acesso e resguardando-se o sigilo das
informações.
2.2.3. Definir normas mínimas que regulem o funcionamento de instituições dedicadas ao
tratamento, à recuperação, à redução de danos, à reinserção social e ocupacional, quaisquer que
sejam os modelos ou formas de atuação, monitorar e fiscalizar o cumprimento dessas normas,
respeitando o âmbito de atuação de cada instituição.
2.2.4. Estabelecer procedimentos de avaliação, por uma comissão tripartite e paritária, para as
diversas modalidades de tratamento, recuperação, redução de danos, reinserção social e
ocupacional para usuários, dependentes e familiares, com base em parâmetros comuns,
adaptados às realidades regionais, permitindo a comparação de resultados entre as instituições,
aplicando para esse fim recursos técnicos e financeiros.
2.2.5. Desenvolver, adaptar e implementar diversas modalidades de tratamento, recuperação,
redução de danos, reinserção social e ocupacional dos dependentes químicos e familiares às
características específicas dos diferentes grupos – crianças e adolescentes, adolescentes em
medida socioeducativa, mulheres, gestantes, idosos, pessoas em situação de risco social,
portadores de qualquer co-morbidade, população carcerária e egressos, trabalhadores do sexo e
populações indígenas –, por meio da distribuição descentralizada de recursos técnicos e
financeiros.
2.2.6. Propor, por meio de dispositivos legais, incluindo incentivos fiscais, o estabelecimento de
parcerias e convênios, em todos os níveis do Estado, que possibilitem a atuação de instituições e
organizações públicas, não-governamentais ou privadas, que contribuam no tratamento, na
recuperação, na redução de danos e na reinserção social e ocupacional de dependentes químicos
e familiares.
2.2.7. Propor a criação de taxas específicas, para serem arrecadadas em todos os níveis de
governo (federal, estadual e municipal), sobre as atividades da indústria de bebidas alcoólicas e
de tabaco, para financiar o tratamento, a recuperação, a redução de danos e a reinserção social e
ocupacional de dependentes químicos e familiares.
2.2.8. Garantir a destinação dos recursos provenientes das arrecadações do Fundo Nacional
Antidrogas (composto por recursos advindos da apropriação de bens e valores apreendidos em
decorrência do crime do narcotráfico) para o tratamento, a recuperação e a reinserção social e
ocupacional de dependentes químicos e familiares.
2.2.9. Estabelecer parcerias com universidades, para implementação da capacitação continuada,
por meio dos pólos permanentes de educação, saúde e assistência social.
2.2.10. Propor que a Agência Nacional de Saúde Suplementar regule o atendimento assistencial
em saúde para os transtornos psiquiátricos e/ou por abuso de substâncias psicotrópicas, de modo a garantir o tratamento tecnicamente adequado previsto na Política Nacional de Saúde.


3. REDUÇÃO DOS DANOS SOCIAIS E À SAÚDE


3.1. Orientação geral
3.1.1. A promoção de estratégias e ações de redução de danos voltadas para a saúde pública e
os direitos humanos deve ser realizada de forma articulada, inter e intra-setorial, visando à
redução dos riscos, das conseqüências adversas e dos danos associados ao uso de álcool e
outras drogas para a pessoa, a família e a sociedade.
3.2. Diretrizes
3.2.1. Reconhecer a estratégia de redução de danos, amparada pelo artigo 196 da Constituição
Federal, como medida de intervenção preventiva, assistencial, de promoção da saúde e dos
direitos humanos.
3.2.2. Garantir o apoio à implementação, à divulgação e ao acompanhamento das iniciativas e
estratégias de redução de danos desenvolvidas por organizações governamentais e não-
governamentais, assegurando os recursos técnicos, políticos e financeiros necessários, em
consonância com as políticas públicas de saúde.
3.2.3. Diminuir o impacto dos problemas socioeconômicos, culturais e dos agravos à saúde
associados ao uso de álcool e outras drogas.
3.2.4. Orientar e estabelecer, com embasamento científico, intervenções e ações de redução de
danos, considerando a qualidade de vida, o bem-estar individual e comunitário, as características locais, o contexto de vulnerabilidade e o risco social.
3.2.5. Garantir, promover e destinar recursos para o treinamento, a capacitação e a supervisão
técnica de trabalhadores e profissionais para atuarem em atividades de redução de danos.
3.2.6. Viabilizar o reconhecimento e a regulamentação do agente redutor de danos como
profissional e/ou trabalhador de saúde, garantindo sua capacitação e supervisão técnica.
3.2.7. Estimular a formação de multiplicadores em atividades relacionadas à redução de danos,
visando a um maior envolvimento da comunidade com essa estratégia.
3.2.8. Incluir a redução de danos na abordagem da promoção da saúde e da prevenção no ensino
formal (fundamental, médio e superior).
3.2.9. Promover estratégias de divulgação, elaboração de material educativo, sensibilização e
discussão com a sociedade sobre a redução de danos por meio de trabalho com as diferentes
mídias.
3.2.10. Apoiar e divulgar as pesquisas científicas, submetidas e aprovadas por comitê de ética,
realizadas na área de redução de danos, para o aprimoramento e a adequação da política e de
suas estratégias.
3.2.11. Promover a discussão, de forma participativa, e subsidiar tecnicamente a elaboração de
eventuais mudanças nas legislações, nas três esferas de governo, por meio dos dados e
resultados da redução de danos.
3.2.12. Assegurar às crianças e adolescentes o direito à saúde e o acesso às estratégias de
redução de danos, conforme preconiza o Sistema de Garantia de Direitos do Estatuto da Criança
e do Adolescente (ECA – Lei n.º 8.069/1990).
3.2.13. Comprometer os governos federal, estaduais e municipais com o financiamento, a
formulação, a implementação e a avaliação de programas e ações de redução de danos sociais e
à saúde, considerando as peculiaridades locais e regionais.
3.2.14. Implementar políticas públicas de geração de trabalho e renda como elementos redutores de danos sociais.
3.2.15. Promover e implementar a integração das ações de redução de danos com outros
programas de saúde pública.
3.2.16. Estabelecer estratégias de redução de danos voltadas para minimizar as conseqüências
do uso indevido, não somente de drogas lícitas e ilícitas, bem como de outras substâncias.


4. REDUÇÃO DA OFERTA


4.1. Orientação geral
4.1.1. A redução substancial dos crimes relacionados ao tráfico de drogas ilícitas e ao uso abusivo
de substâncias nocivas à saúde, responsáveis pelo alto índice de violência no País, deve
proporcionar melhoria nas condições de segurança das pessoas.
4.1.2. Meios adequados devem ser assegurados à promoção da saúde e à preservação das
condições de trabalho e da saúde física e mental dos profissionais de segurança pública, incluindo
assistência jurídica.
4.1.3. As ações contínuas de repressão devem ser promovidas para reduzir a oferta das drogas
ilegais e/ou o abuso, pela erradicação e apreensão permanentes dessas produzidas no País, pelo
bloqueio do ingresso das oriundas do exterior, destinadas ao consumo interno ou ao mercado
internacional, e pela identificação e desmantelamento das organizações criminosas.
4.1.4. A coordenação, promoção e integração das ações dos setores governamentais
responsáveis pelas atividades de prevenção e repressão ao tráfico de drogas ilícitas, nos diversos níveis de governo, devem orientar a todos que possam apoiar, aprimorar e facilitar o trabalho.
4.1.5. A execução da Política Nacional sobre Drogas deve estimular e promover, de forma
harmônica com as diretrizes governamentais, a participação e o engajamento de organizações
não-governamentais e de todos os setores organizados da sociedade.
4.1.6. As ações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – Coaf –, do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional – DRCI/MJ –, da Secretaria da
Receita Federal – SRF –, do Departamento de Polícia Federal – DPF –, do Fundo Nacional
Antidrogas – Funad –, da Secretaria Nacional de Segurança Pública – Senasp –, da Polícia
Rodoviária Federal – DPRF –, das Polícias Civis e Militares e demais setores governamentais com responsabilidade na redução da oferta devem receber irrestrito apoio na execução de suas
atividades.
4.1.7. Interação permanente com o Poder Judiciário e o Ministério Público, por meio dos órgãos
competentes, visando agilizar a implementação da tutela cautelar, com o objetivo de evitar a
deterioração dos bens apreendidos.
4.2. Diretrizes
4.2.1. Conscientizar e estimular a colaboração espontânea e segura de todas as pessoas e
instituições com os órgãos encarregados pela prevenção e repressão ao tráfico de drogas,
garantido o anonimato.
4.2.2. Centralizar, no Departamento de Polícia Federal, as informações que permitam promover o planejamento integrado e coordenado das ações repressivas dos diferentes órgãos,
disponibilizando-as para as unidades da federação, bem como atender às solicitações de
organismos nacionais e internacionais com os quais o País mantém acordos.
4.2.3. Estimular operações repressivas, assegurando condições técnicas e financeiras, para ações
integradas entre os órgãos federais, estaduais, municipais e do Distrito Federal responsáveis pela redução da oferta, coordenadas pelo Departamento de Polícia Federal, sem relação de
subordinação, com o objetivo de prevenir e combater os crimes relacionados às drogas.
4.2.4. Incrementar a cooperação internacional, estabelecendo e reativando protocolos e ações
coordenadas, fomentando a harmonização de suas legislações, especialmente com os países
vizinhos.
4.2.5. Apoiar a realização de ações dos órgãos responsáveis pela investigação, fiscalização e
controle nas esferas federal, estadual, municipal e do Distrito Federal, para impedir que bens e
recursos provenientes do tráfico de drogas sejam legitimados no Brasil e no exterior.
4.2.6. Planejar e adotar medidas para tornar a repressão eficaz, cuidando para que as ações de
fiscalização e investigação sejam harmonizadas, mediante a concentração dessas atividades
dentro de jurisdição penal em que o Judiciário e a polícia repressiva disponham de recursos
técnicos, financeiros e humanos adequados para promover e sustentar a ação contínua de
desmonte das organizações criminosas e de apreensão e destruição do estoque de suas
mercadorias.
4.2.7. Manter, por intermédio da Senad, o Conselho Nacional Antidrogas informado sobre os bens móveis, imóveis e financeiros apreendidos de narcotraficantes, a fim de agilizar sua utilização ou alienação por via da tutela cautelar ou de sentença com trânsito em julgado, bem como a conseqüente aplicação dos recursos.
4.2.8. Priorizar as ações de combate às drogas ilícitas que se destinam ao mercado interno,
produzidas ou não no País, sem prejuízo das ações de repressão àquelas destinadas ao mercado
externo.
4.2.9. Controlar e fiscalizar, por meio dos órgãos competentes dos Ministérios da Justiça, da
Saúde e da Fazenda, bem como das Secretarias de Fazenda estaduais e municipais e do Distrito
Federal, todo o comércio e transporte de insumos que possam ser utilizados para produzir drogas, sintéticas ou não.
4.2.10. Estimular e assegurar a coordenação e a integração entre a Secretaria Nacional de
Segurança Pública, as Secretarias de Segurança e Justiça estaduais e do Distrito Federal, o
Departamento de Polícia Federal e o Departamento de Polícia Rodoviária Federal, no sentido do
aperfeiçoamento das políticas, estratégias e ações comuns de combate ao narcotráfico e aos
crimes conexos.
4.2.11. Promover e incentivar as ações de desenvolvimento regional de culturas e atividades
alternativas, visando à erradicação de cultivos ilegais no País.
4.2.12. Assegurar recursos orçamentários no âmbito da União, dos Estados e do Distrito Federal
para o aparelhamento das polícias especializadas na repressão às drogas e estimular
mecanismos de integração e coordenação de todos os órgãos que possam prestar apoio
adequado às suas ações.
4.2.13. Intensificar a capacitação dos profissionais de segurança pública, dos membros do Poder
Judiciário e do Ministério Público com funções nas áreas de prevenção e repressão ao tráfico
ilícito de drogas, em todos os níveis de governo e no Distrito Federal, bem como estimular a
criação de departamentos especializados nas atividades de combate às drogas.
4.2.14. Assegurar dotações orçamentárias para a Política de Segurança Pública, especificamente
para os setores de redução da oferta de drogas, com vinculação de percentual, nos moldes das
áreas de educação e saúde, com o fim de melhorar e implementar atividades, bem como criar
mecanismos incentivadores ao desempenho das funções dos profissionais dessa área.


5. ESTUDOS, PESQUISAS E AVALIAÇÕES


5.1. Orientação geral
5.1.1. Meios necessários devem ser garantidos para estimular, fomentar, realizar e assegurar,
com a participação das instâncias federal, estaduais, municipais e do Distrito Federal, o
desenvolvimento permanente de estudos, pesquisas e avaliações que permitam aprofundar o
conhecimento sobre drogas, a extensão do consumo e sua evolução, a prevenção do uso
indevido, a repressão, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos, a reinserção social e
ocupacional, observando os preceitos éticos.
5.1.2. Meios necessários devem ser garantidos à realização de estudos, análises e avaliações
sobre as práticas das intervenções públicas e privadas, nas áreas de prevenção, tratamento,
reabilitação, redução de danos, reinserção social e ocupacional e redução da oferta, considerando
que os resultados orientarão a continuidade ou a reformulação dessas práticas.
5.2. Diretrizes
5.2.1. Promover e realizar, periódica e regularmente, levantamentos abrangentes e sistemáticos
sobre o consumo de drogas lícitas e ilícitas, incentivando e fomentando a realização de pesquisas
dirigidas a parcelas da sociedade, considerando a enorme extensão territorial do País e as
características regionais e sociais, além daquelas voltadas para as populações específicas.
5.2.2. Incentivar e fomentar a realização de pesquisas básicas, epidemiológicas, qualitativas e as
inovações tecnológicas sobre os determinantes e condicionantes de riscos e danos, o
conhecimento sobre as drogas, a extensão do consumo e sua evolução, a prevenção do uso
indevido, a repressão, o tratamento, a redução de danos, a reabilitação, a reinserção social e
ocupacional, desenvolvidas por organizações governamentais e não-governamentais,
disseminando amplamente seus resultados.
5.2.3. Assegurar, por meio de pesquisas, a identificação de princípios norteadores de programas
preventivos.
5.2.4. Avaliar o papel da mídia e seu impacto no incentivo e/ou prevenção do uso indevido de
álcool e outras drogas e os danos relacionados, divulgando os resultados por meio do
Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas – Obid.
5.2.5. Garantir que sejam divulgadas, por meio do Observatório Brasileiro de Informações sobre
Drogas – Obid – e por meio impresso, pesquisas referentes ao uso indevido de álcool e outras
drogas que permitam aperfeiçoar uma rede de informações confiáveis para subsidiar o
intercâmbio com instituições regionais, nacionais e estrangeiras e organizações multinacionais
similares.
5.2.6. Apoiar, estimular e divulgar estudos, pesquisas e avaliações sobre violência, aspectos
socioeconômicos e culturais, ações de redução da oferta e custo social e sanitário do uso indevido
de drogas lícitas e ilícitas e seus impactos na sociedade.
5.2.7. Definir e divulgar critérios de financiamento para estudos, pesquisas e avaliações.
5.2.8. Apoiar, estimular e divulgar pesquisas que avaliem a relação custo/benefício das ações
públicas vigentes, para subsidiar a gestão e o controle social da Política Nacional sobre Drogas.

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