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02 junho 2009

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Documentos:
1. Crack: Uma Droga Fatal
2. Como Manter o Lar Livre da Droga

Filho do crack



Ele ainda não tem consciência, mas pode ter o destino atrelado para sempre ao crack. O bebê de um ano e cinco meses é sorridente e cativante. Ao lado da mãe de 18 anos em um sofá puído no cubículo onde vive a família, no Bairro Fidélis, abre os braços até para quem acabou de conhecer. A tia, de 12 anos, o acolhe.

É raro ganhar o colo da mãe, mesmo nas noites em que custa dormir ou quando as crises de tosse o atacam. Ela costuma passar a noite fora de casa, drogada. O pai está preso há sete meses por envolvimento com o tráfico. Gabriel nunca o conheceu.

Não fosse pelos cuidados da avó e da bisavó, o menino seria mais uma vítima inocente da pedra que consome 5 mil pessoas em Blumenau entre 20 mil dependentes químicos.

A mãe é viciada desde os 15 anos. Nem mesmo a notícia da gravidez fez com que abandonasse o crack.

– Às vezes penso em parar por causa dele, mas não consigo – conta.

A jovem foi orientada a entregar o bebê à doação, mas a avó não permitiu. O menino carrega heranças do hábito da mãe. A má alimentação da mãe, decorrente da droga, também trouxe consequências à saúde do filho.

Ele nasceu com peso abaixo do normal, frágil e com um problema pulmonar controlado por sessões constantes de nebulização. Correu o risco de morrer ainda no ventre ou de nascer prematuro. Demorou um ano e dois meses para dar os primeiros passos e ainda usa os móveis para se equilibrar. Sofre com insônia, com irritação.

– Ele é nervosinho, chora com facilidade. Dá pena – diz a bisavó.

Mãe entrou na prostituição para sustentar o vício

A mãe passa noites fora de casa, fumando a pedra. Entrou na prostituição para sustentar o vício pelo crack. Não pensa em buscar condições dignas de sustentar o filho. Foi internada duas vezes. Na mais recente, esqueceu os documentos.

Especialistas apontam que a ausência materna na criação do filho e as atitudes que demonstra na presença do menino podem deixar marcas irreversíveis na vida dele. Há possibilidade de o menino se tornar um adulto depressivo, com dificuldades para aprender e se concentrar nos estudos.

Ele também pode desenvolver problemas para controlar a temperatura do corpo e o nível de açúcar no sangue. Os efeitos do crack em filhos de mães viciadas ainda são obscuros. Há poucas pesquisas sobre o assunto.

– Muitas crianças filhas de mães viciadas desenvolvem autismo. A única certeza é que o vínculo entre mãe e filho é rompido em função da droga – alerta a médica Cristiane Cadore de Farias Hagemann, especialista em Medicina Fetal.

A mãe não se importa em falar sobre o uso de drogas na frente do bebê nem da irmã mais nova. Ignora o fato de que o convívio com o vício pode formar usuários potenciais de drogas, ou seja, a dependência pode ser transmitida para o filho.

A família do menino é um fragmento da realidade do crack em Blumenau. Como a maioria dos usuários da pedra, antes a mãe foi usuária de outras drogas: passou de maconha e lança-perfume para ecstasy e cocaína. Largou os estudos na 6ª série e engravidou aos 17 anos de um homem 25 anos mais velho.

– O convívio com a droga no ambiente familiar frequentemente estimula a criança a seguir o exemplo. Além disso, a criança pode estar exposta a situações de violência que podem comprometê-la para sempre – explica o psiquiatra especialista em dependência química, Juliano Fonseca Tonello.

Onde encontrar apoio

AJUDA A VÍTIMAS E FAMILIARES

Viva Voz

Serviço nacional de orientações e informações sobre a prevenção do uso indevido de drogas. Entre em contato pelo número 0800-5100015

Grupos de Mútua Ajuda

Nar-Anon/Narateen

Grupos de familiares de dependentes químicos (Nar-Anon) e adolescentes que tiveram a vida afetada pela dependência química de um membro da família. A sigla Nar-Anon refere-se a Narcóticos Anônimos. Há grupos em diferentes municípios de Santa Catarina. Informações podem ser obtidas pelo site www.naranon.org.br

Amor Exigente

Associação para informações e orientação que encaminha familiares a grupos de mútua ajuda. Possui centros em cidades catarinenses. Informações pelo site www.amorexigente.org.br

DENÚNCIA

Em caso de denúncia, 181. Informações de interesse da segurança pública, como atuação de quadrilhas e gangues, abusos contra crianças, mulheres e idosos, autoria de crimes, pontos de tráfico de drogas e outros podem ser denunciados

MAIS INFORMAÇÕES

O site www.cracknempensar.com.br indica locais e telefones para interessados em obter ajuda ou fazer denúncias.

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