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05 maio 2014

Comunicado do NEPRE/SED

Curtas

Para começar a semana...

Questões de Gênero na Escola resultam em problemas? Podem ajudar no aprendizado?

Como lidar?

Eis um tema que gera muitas dúvidas. O que não falta é situações delicadas e conflituosas no espaço escolar, envolvendo relações de gênero. Por quê? Porque se trata, basicamente, de relações humanas. A curto e grosso modo, questões de gênero incluem papéis atribuídos a homens e mulheres ao longo da história. Quer dizer, esses papéis foram construídos historicamente, em uma determinada cultura, num determinado contexto político e econômico. Relacionam-se estreitamente com os aspectos religiosos condutores, uma vez que as crenças modelam valores do tipo “certo” e “errado”, incidentes em comportamentos de homens e mulheres, nas comunidades em que vivem, estudam, e trabalham.
Nesse contexto, “sexo” feminino e masculino é uma classificação biológica básica e insuficiente. Graças aos estudos feministas, gradualmente o feminino e o masculino passaram a ser redimensionados como projeções simbólicas – ganhando contornos e cores por meio de uma enorme gama de significantes e significados.

Em se tratando de escola, no que diz respeito aos gêneros, há um elemento extra a se considerar: Como crianças e jovens, em formação, interpretam as condutas atribuídas aos gêneros? Quando falamos de Ensino Fundamental de 5ª a 6ª, essa situação é visivelmente identificada, uma vez que o conflito entre meninos e meninas surge de maneira bastante polarizada. Os meninos significam as atividades consideradas adequadas a eles, assim como as meninas, conforme os valores que lhes são passados pelos pais. No entanto, observadoras que são, as crianças começam a introjetar valores compartilhados pelos adultos por meio do convívio. Semeiam-se os níveis de compreensão infantil para futuras expressões, que podem vir a eclodir de forma positiva ou negativa, na adolescência.
Para pré-adolescentes e adolescentes, em termos de mecanismos envolvidos nas relações de gênero, a coisa muda de figura.  Essa é a fase em que os jovens “decodificam” e “filtram” os gêneros de forma mais simbólica. Eles são mais influenciados por seus ídolos, por pessoas que se destacam nas redes sociais, pelos amigos mais descolados, e estão tentando afirmar sua individualidade perante os outros – colegas, pais, professores, amigos, “ficantes”, namorados, etc.
Assim, tudo que o jovem faz, o que ele veste, a maneira como se comporta, são expressões de como interpreta o mundo. Os conflitos decorrentes dos gêneros se exteriorizam, porém, não necessariamente são inteligíveis para pais e professores; nem sempre ocorrem como se espera, e ou  como se imagina.
No Ensino Médio, as questões de Gênero tomam proporções diferentes. Os jovens requerem estratégias, por parte dos educadores, para se obter a expressão concreta do que eles pensam sobre si mesmos, sobre os outros, e sobre o mundo, de uma maneira geral. Eles não gostam de se sentir observados, portanto, essa tarefa exige tato e conduta natural, por parte do educador que se propuser tal tarefa.

SITUAÇÕES GENÉRICAS, PORÉM, CONCRETAS:
Conflitos decorrentes de gênero: Ensino Fundamental - Atividade da professora solicita que o menino utilize artefato da cor rosa. O menino rejeita o artefato e se nega a participar porque o pai lhe disse que rosa é cor para meninas. Ensino Médio – (1) Aluna passeia de mãos dadas com colega do mesmo sexo. As duas trocam carícias no pátio da escola. (2) Aluna reúne as amigas para espancar colega, a qual “estaria” de olho no “seu homem”. Educação de Jovens e Adultos – Surge em sala a opinião de que a mulher é tão competente no trabalho quanto o homem. Um dos alunos, de certa idade, não concorda. Ele diz que as mulheres devem privilegiar o cuidado do lar, a atenção aos filhos e o marido.

Então, como lidar com esses tipos de situações, que podem acabar numa pancadaria geral, ou no mínimo, mal-estar no ambiente escolar? Pois é... Questões de Gênero podem resultar em violências na escola, que será um dos nossos próximos temas.

ALGUMAS PONDERAÇÕES:
Com relação ao Ensino Fundamental, é preciso trabalhar as atividades programadas em conjunto com a família. Não se pode simplesmente desautorizar o pai, dizendo ao aluno que o genitor está errado em relação à cor rosa. Às vezes, é necessário circundar o alvo, sem atingi-lo. Mesmo que o resultado não seja o máximo que se almeja, o importante é que o aluno saiba que existe a cor rosa, que a cor rosa é bonita, que há um dégradé de cores, e que ele pode significar cada uma delas, conforme suas emoções e interesses.
Com relação ao Ensino Médio, (1) é preciso ter as normas de convivência bem claras para a comunidade escolar. Como a escola entende que é “errado” ou “certo” determinado comportamento. E esse “errado”, ou “certo” deve valer para todas as pessoas em todas as situações – menino com menina, menina com menina, menino com menino, professores com professores, etc. As regras de convivência dizem respeito ao “certo” e “errado” coletivo, ou seja, para todos. São estas as regras que devem ser lembradas às garotas, não o fato de ambas serem do mesmo gênero. Afinal, a sexualidade de ambas só a elas pertencem. (2) Já o linchamento promovido pela namorada ciumenta, é um caso de violência muito freqüente nas escolas, mas que pode perfeitamente ser evitado; provavelmente, por meio de arbitragem interna de conflitos. Se começa a surgir um clima entre as alunas, e se o professor está atento e conhece o comportamento delas, vai perceber que a coisa está para se agravar. É o tipo de situação que a escola empreendedora resolve, aproveitando seus alunos com perfil de liderança para intervirem no processo. Alunos “monitores”, com perfil de liderança, obtêm bons resultados na mediação de conflitos.
No EJA, fica claro que os alunos devem administrar críticas, pois cada qual precisa conviver com opiniões discordantes. O aluno não é obrigado a aprovar o avanço das mulheres, e pode expressar a sua opinião. Se o educador é do gênero feminino, deve aproveitar toda e qualquer animosidade em favor da aula, e não se sentir ofendida, levando os comentários para o nível pessoal.
As mulheres têm o direito de não concordar com ele, óbvio! O conflito, nesse caso, pode ser conduzido para um bom aprendizado. Pode se levantar exemplos de mulheres que mudaram o mundo; o aluno ouve placidamente, mas continua não concordando.
A única coisa que ele precisa ter claro é que sua opinião não pode ditar comportamentos, ou tolher a liberdade das pessoas que discordam dele. Nesse caso, para não gerar mal estar, seria bom encontrar – ao final do debate/embate – temas que ambos os lados possam harmonizar.

Mais importante do que oferecer verdades aos alunos, é o professor favorecer o conflito construtivo, a crítica que mostra vários lados de uma questão, enfim, o exercício pleno da democracia. Afinal, seria muito chato se todo mundo concordasse com todo mundo.

DICAS:
É interessante fazer estudos de casos, e consultar outros profissionais sobre episódios escolares – como médicos, psicólogos, assistentes sociais, pedagogos, e profissionais de outras escolas. Os estudos de casos auxiliam a “treinar” a equipe da escola para lidar com situações delicadas. Servem como pseudo-simulações, por assim dizer.
É importante que o educador esteja atento aos aspectos que indicam valores pessoais dos alunos: concepções religiosas, familiares, políticas; as origens étnicas e culturais; bem como o nível de seu interesse por determinados temas. As Questões de Gênero perpassam e subjazem a todos estes aspectos. Portanto, em termos de gêneros, os educadores não podem cair na cilada de ficar dizendo o que é certo ou errado ao aluno. Porque, em termos de gêneros, depende muito da educação familiar. “Certo” e “errado” devem ser debatidos quando o assunto é “regras gerais de convivência” – o que cumpre a cada um fazer - no tocante às condutas apropriadas aos ambientes em que as pessoas vivem e convivem.

É, amigo educador, lidar com pessoas não é tarefa fácil. E ser educador, hoje em dia, é ser o profissional das relações humanas. Os alunos aprendem muito mais por meio dessas relações, do que pela somatória dicotômica de conhecimentos expostos a um grupo de pessoas hipnotizadas pelo quadro negro.

 
Alguns sites para se informar e pesquisar (concorde, discorde, ou apenas se aprimore com os autores):








DÚVIDAS sobre o tema, socialização de experiências – casos, reflexões, etc., envie para:  michelleaprende@sed.sc.gov.br

Tenha uma boa semana!  

Michèlle Domit  
Psicóloga e Consultora Educacional 
Equipe GEREJ/+Educação /SED
(48) 3664-0051 

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