O que está em jogo em cada cena? Refletindo sobre problemas de convivência escolares.
Este exercício foi pensado para você
colocar em prática seus conhecimentos sobre os problemas de convivência
estudados. Para cada cena apresentada, anote em seu caderno se ela é um exemplo
de:
- Indisciplina;
- Incivilidade;
- Violência;
- Transgressão;
- Bullying/cyberbullying.
Cena 1
Algumas meninas se incomodam com a
beleza de Fernanda. Além disso, ela tira boas notas e é frequentemente elogiada
pelos professores, o que irrita as meninas. Um dia, durante o intervalo das
aulas, as meninas agridem Fernanda com palavras e, enquanto algumas a seguram
com força (o que deixa um hematoma em seu braço), outras cortam uma mecha
grande de seus cabelos e rasgam seus materiais.
Cena 2
A professora de Literatura solicitou
aos estudantes que fizessem a leitura prévia de um texto, com uma semana de
antecedência, para que pudessem apresentar os principais pontos abordados pelo
autor. Entretanto, um grupo de alunos não leu o texto e se mantive reunido,
rindo e provocando outros alunos durante a aula.
Cena 3
Algumas alunas da classe de Mariana
criaram uma página no Instagram para postar “memes” em que ela aparece com
vários garotos.
Cena 4
Mesmo sabendo que não faz parte do
uniforme escolar, Arthur vem vestido frequentemente com a camiseta de seu time,
o que gera várias anotações no registro da escola.
Cena 5
Diariamente, a professora Diana entra
na sala dos professores e diz “bom dia”, porém, mesmo com muitos na sala,
ninguém responde.
Agora, compare suas respostas com o
gabarito a seguir. O objetivo é que você faça uma autoavaliação sobre a
compreensão dos problemas de convivência e suas naturezas, para que você possa,
nas próximas atividades, propor intervenções possíveis para cada situação.
Anote 1 ponto para cada cena cuja avaliação você acertou.
Gabarito
Cena 1: ( x ) violência – 1 ponto
Por que se trata de uma cena de violência? Porque não temos mais informações e indícios que permitam definir se
ela é um ato pontual – embora grave – de violência ou se é algo recorrente no
grupo citado.
Cena 2: ( x ) indisciplina – 1 ponto
Por que se trata de uma cena de indisciplina? Porque o grupo de alunos não realiza uma tarefa acordada na sala de
aula e se comporta de forma a atrapalhar o andamento da aula e a aprendizagem
de toda a turma.
Cena 3: ( x ) bullying/cyberbullying – 1 ponto
Por que se trata de uma cena de bullying/cyberbullying? Essa cena foi caracterizada como cyberbullying pela manipulação e pela exposição da imagem de Mariana diante das
muitas pessoas que acessam essa página do Instagram, causando consequências muito
danosas.
Cena 4: ( x ) transgressão – 1 ponto
Por que se trata de uma cena de transgressão? Porque se relaciona com o descumprimento de uma regra da escola: o uso
do uniforme.
Cena 5: ( x ) incivilidade
– 1 ponto
Por que se trata de uma cena de incivilidade? Porque uma regra da boa educação e da boa convivência cidadã
(responder a uma saudação) é ignorada pelo grupo.
Clique aqui e acesse os comentários sobre a cena 5
O que são as situações de incivilidade?
São situações muito frequentes nos
ambientes escolares e, muitas vezes, podem ser também situações de
indisciplina.
As situações de incivilidade
referem-se a um conjunto de condutas inadequadas em sala de aula que interferem
na qualidade da convivência do grupo, como gritar, andar pela sala, falar quando
o professor explica, usar palavras desrespeitosas, provocar os colegas etc.
Alguns autores chamam essas atitudes
de microviolências, pois evidenciam que os objetivos educativos das diferentes
pessoas da classe não convergem para um ponto comum, ou seja, os objetivos
educativos iniciais do professor não são compartilhados ou assumidos por todos
os alunos.
Atitudes de incivilidade contribuem
fortemente para criar um clima tenso na sala de aula e favorecem relações
interpessoais ruins, tanto entre professores e alunos quanto entre os próprios
alunos.
Agora, some seus pontos e veja a seguir como está seu conhecimento sobre
os problemas de convivência escolares.
5 pontos – UAU! Você conseguiu
compreender que os problemas de convivência possuem naturezas distintas.
Parabéns! Isso será importante para que você possa entender as diferentes
formas de abordá-los e de intervir.
3 ou 4 pontos – OLHA SÓ! Você já
identificou boa parte dos problemas de convivência, distinguindo-os, mas seria
importante retomar os que não conseguiu identificar.
2 pontos – VAMOS LÁ! É difícil mesmo
distinguir os problemas de convivência. Nem sempre, nos primeiros estudos, isso
é possível. Por isso, recomendamos que você retome a leitura do texto O desafio da convivência e releia as situações que não
conseguiu acertar.
1 ou 0 ponto – PUXA! É importante
você retomar o estudo do artigo O desafio da
convivência. Sabemos como muitas vezes essa diferenciação é complexa, mas
entendemos a necessidade de uma revisão.
Para contribuir com uma maior compreensão do tema, apresentamos para você alguns vídeos curtos em que as pesquisadoras Soraia Campos e Thaís Bozza comentam essas cenas. Vamos assisti-los
Ações
interventivas e preventivas para os casos de VIOLÊNCIA.
O vídeo Violência escolar – entrevista Profa. Luciene Tognetta discute a violência escolar e as formas não violentas para a resolução de conflitos. Assista-o e registre em seu caderno os pontos que chamaram sua atenção.
O que são as situações de violência?
“[…] são atos agressivos intencionais
que supõem força, coerção, expressão física intensa, imposição e provocam dano
e destruição. São aquelas reguladas pelo código penal, ou seja, ações que
atacam a lei com uso da força ou ameaça de usá-la” (VINHA, 2017).
Como agir na intervenção e na prevenção?
Situações que envolvem violência
exigem um conjunto de ações e, geralmente, necessitam da atuação de outras
instituições, como o Conselho Tutelar, o âmbito jurídico, o serviço de apoio à
saúde mental, entre outras.
Essas situações requerem múltiplos
níveis de intervenção, de forma a atender aos diferentes grupos que estão
direta ou indiretamente envolvidos: os sujeitos da situação de violência, os
pequenos grupos dos quais fazem parte, seu grupo-classe e a instituição escolar
em conjunto, além das famílias.
As ações preventivas se dão no campo
educativo ao promover a aprendizagem do respeito, da empatia e da polidez e a prática
da justiça restaurativa.
Para intervir em situações de violência, tenha em mente a necessidade de convidar as pessoas à reflexão sobre a
violência ao mesmo tempo em que se declara a justiça como valor fundamental
para a escola. Para isso, algumas práticas importantes são:
- Institucionalizar práticas
restaurativas (mediação de conflitos, círculos restaurativos);
- Promover a justiça
restaurativa (sanções educativas e por reciprocidade);
- Propiciar encontros
formativos e orientações às famílias (exemplo: regras, sanções,
comunicação construtiva, valores da escola);
- Ter maior controle de armas
de fogo e munições;
criar e fortalecer os Conselhos de Escola (participação da comunidade escolar); - Conhecer a ampliação dos
sistemas de proteção social básica (CRAS, CREAS) e refletir com a
comunidade sobre eles;
- Promover rodas de conversa
com temas que possam despertar no adolescente a sensibilidade moral (temas
da atualidade, expressão dos sentimentos);
- Oferecer programas com
oficinas artísticas, culturais e esportivas com adolescentes, fortalecendo
ou criando espaços de socialização e participação, e promover o direito à
profissionalização como forma de reduzir a exposição dos alunos aos
riscos.
Quando o problema
de convivência é a TRANSGRESSÃO.
O que são as situações de transgressão?
São comportamentos contrários ao
regulamento interno da escola (mas não ilegais do ponto de vista da lei). Nessa
perspectiva, as regras não são compreendidas como mecanismos de repreensão ou
controle, mas como parâmetros elaborados pelos educadores em conjunto com os
alunos.
Esses parâmetros devem ser
respeitados no ambiente escolar, pois objetivam a organização dos trabalhos, a
justiça, a convivência e a produção escolar de melhor qualidade.
Como agir na intervenção e na prevenção?
Você deve favorecer e fortalecer a
cultura do diálogo, promovendo a reflexão sobre a necessidade da existência das
regras e de como seria se as pessoas não as cumprissem.
Para os problemas de convivência em
que há violação do regimento escolar, sugerimos algumas práticas bem-sucedidas:
- implantação de espaços
institucionais para discussão e construção coletiva das regras, como as
assembleias escolares;
- rodas de conversa para
reflexão coletiva sobre as regras não negociáveis e para revisão das
regras negociáveis;
- propostas de reflexão
individualizada, nos casos em que a transgressão ocorre individualmente.
Sobre as assembleias escolares, assista ao vídeo Assembleias escolares na EMEF. Maria Pavanatti Fávaro, Campinas, SP, em que alunos, funcionários, professores e gestores contam sobre a organização das assembleias e as mudanças no clima da escola desde a implantação delas. Vale a pena assistir!
E o que fazer com os casos de INCIVILIDADE?
O que são as situações de incivilidade?
São situações muito frequentes nos
ambientes escolares e, muitas vezes, podem ser também situações de
indisciplina.
As situações de incivilidade
referem-se a um conjunto de condutas inadequadas em sala de aula que interferem
na qualidade da convivência do grupo, como gritar, andar pela sala, falar
quando o professor explica, usar palavras desrespeitosas, provocar os colegas
etc.
Alguns autores chamam essas atitudes
de microviolências, pois evidenciam que os objetivos educativos das diferentes
pessoas da classe não convergem para um ponto comum, ou seja, os objetivos
educativos iniciais do professor não são compartilhados ou assumidos por todos
os alunos.
Atitudes de incivilidade contribuem
fortemente para criar um clima tenso na sala de aula e favorecem relações
interpessoais ruins, tanto entre professores e alunos quanto entre os próprios
alunos.
Para intervir nas situações de incivilidade, são consideradas práticas bem-sucedidas:
- Demonstrar autoridade sem
ser autoritário ou “um igual”;
- Aplicar os pressupostos da
comunicação não violenta;
- Ser coerente e “não deixar
passar” as situações de incivilidade;
- Possuir recursos para lidar
com os conflitos, sem superdimensioná-los ou subestimá-los;
- Promover assembleias, rodas
de conversa e círculos restaurativos.
·
A INDISCIPLINA é um dos problemas de convivência. E agora?
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O
que são as situações de indisciplina?
·
São situações ligadas à ruptura do contrato pedagógico, ou seja,
ações que impedem que o processo de ensino-aprendizagem ocorra.
Como agir na intervenção e na prevenção?
Como a indisciplina está ligada à
vinculação dos alunos nos processos de aprendizagem, há uma variedade de
estudos que destacam a importância da gestão da sala de aula para estabelecer e
manter um ambiente ordenado e atencioso no qual os alunos possam se desenvolver
cognitivamente, socialmente, afetivamente, moralmente e fisicamente.
Mas o que é a gestão da sala de aula?
Ela está relacionada com tudo o que o
professor faz para organizar os estudantes, o espaço físico, o tempo e os
materiais, visando favorecer a aprendizagem. Por isso, ela envolve:
- Planejamento e organização
do espaço da sala de aula, promovendo um ambiente de cooperação;
- Construção de
relacionamentos respeitosos e atenciosos;
- organização e planejamento
do tempo para a realização das atividades;
- Estímulo à motivação dos
alunos;
- Administração de trabalhos
independentes e em grupos.
Para as situações de indisciplina, é necessário intervir a partir da gestão da sala de aula. Conheça
algumas importantes práticas:
- participação ativa dos
alunos durante as atividades, protagonismo;
- não centralização na figura
do professor (ele não deve ser visto como único detentor do saber);
- aplicação de atividades
desafiadoras e significativas para os alunos;
- alteração de rotinas e
propostas para cada realidade;
- envolvimento dos alunos na
seleção de alguns temas, no planejamento e no desenvolvimento das
atividades – dar oportunidade de escolhas;
- realização de assembleias,
rodas de conversa e círculos restaurativos.
Muitas vezes, as situações de indisciplina são confundidas com situações de incivilidade. E como diferenciar uma da outra? Confira o vídeo a seguir.
Quando há falta de
sensibilidade moral: BULLYING/CYBERBULLYING
O
que são as situações de bullying
e cyberbullying?
São formas de
violência que ocorrem entre pares, praticadas por sujeitos que sabem que suas
agressões humilham, expõem ou menosprezam intencionalmente o outro.
Como esses
praticantes de bullying ou cyberbullying carecem
de sensibilidade moral, eles apresentam dificuldades para perceber que falta um
valor moral em suas ações: o respeito.
No espaço virtual,
esses sujeitos podem se sentir ainda mais encorajados a praticar atos violentos
contra colegas por não estarem frente a frente com seus alvos e por acreditarem
na possibilidade do anonimato e na ausência de autoridades que possam eventualmente
puni-los.
Como
agir na intervenção e na prevenção?
Como a escola deve agir diante das situações de bullying?
Nos dois vídeos a seguir, a professora doutora Luciene Tognetta
reflete sobre as ações preventivas e interventivas a serem praticadas na escola
a partir de uma perspectiva da construção da moralidade e em respeito à Lei nº
13.663/2018, conhecida como Lei Antibullying.
Para as situações de bullying/cyberbullying, as intervenções
necessitam de alguns cuidados e pontos de atenção:
- É fundamental que os envolvidos sejam
atendidos, a princípio, separadamente, ou seja, é necessário ouvir alvos e
autores em momentos distintos;
- A conversa com os alvos tem como objetivos
ouvi-los, acolhê-los e fortalecê-los. É indispensável um momento de escuta
sem julgamentos, com a intenção de reconhecer seus sentimentos, e a partir
daí pensar, em conjunto, medidas que possam ser tomadas para enfrentar a
situação;
- É preciso lembrar que os autores possuem
baixos níveis de empatia e sensibilidade e, por isso, necessitam de
formação e ajuda;
- Nesse sentido, o papel da escola com os
autores é fazer com que consigam se colocar no lugar das vítimas e
refletir como se sentiriam caso alguém fizesse o mesmo com eles. Em
seguida, deve-se realizar o processo de conscientização e reparação. É
imprescindível que os autores proponham alternativas para reparar o dano
causado;
- Também são necessárias ações com os
espectadores. É preciso que sejam chamados a se posicionar contra a
agressão quando esta ocorre em público;
- A escola também deve desenvolver propostas de
atividades para que os alunos reflitam sobre o bullying/cyberbullying (sem expor os envolvidos
diretos na situação) visando favorecer a indignação, a sensibilidade com a
dor do outro e a atuação contra a manutenção do bullying/cyberbullyin;
- Criação do projeto antibullying envolvendo
toda a comunidade, com objetivo de prevenir essas formas de violência. A
criação do projeto antibullying diz respeito ao cumprimento da Lei nº
13.663/2018, conhecida como Lei Antibullying, que prevê que as escolas
desenvolvam medidas de conscientização, prevenção e combate ao
bullying.
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