Como Reduzir Conflitos na Escola - Introdução e Atividades

Quais são os principais problemas de convivência que você pode encontrar no cotidiano escolar?

A conduta ética, a postura do estudante e o comprometimento com a boa convivência são construídos pelas crianças e pelos adolescentes ao longo dos anos, nas interações na escola, em casa e em outras esferas da sociedade.

É a partir dessa experiência e da reflexão sobre ela que os aprendizados são produzidos. Assim, é parte do nosso fazer como professores intervir quando há problemas de convivência.

Por isso, é importante refletir sobre esse tema e aprimorar nossa compreensão sobre ele. Por exemplo, é comum chamarmos de indisciplina todos os tipos de problema de convivência que ocorrem no dia a dia. Mas você sabia que nem tudo é o que parece ser?

Portanto, nosso objetivo neste módulo é ajudar a aprimorar seu olhar e apoiar sua ação em sala de aula. Esperamos que você possa refletir sobre os elementos fundamentais que caracterizam e diferenciam os problemas de convivência e que podem ser a chave para nossa intervenção educativa.

Um olhar para os problemas de convivência na escola

Para iniciar este curso, convidamos você a analisar um conjunto de ilustrações. Elas representam diferentes situações que costumam acontecer em sala de aula e são desafios para a prática docente e para a aprendizagem dos alunos. Você já se deparou com alguma delas?



Situações como essas são frequentes nas escolas, e muitas vezes chamamos tudo de indisciplina. Identificar suas diferenças e peculiaridades favorece boas intervenções educativas e é uma oportunidade de construir um ambiente respeitoso e um clima positivo para a aprendizagem.

Neste curso, apresentamos alguns encaminhamentos didáticos para os problemas de convivência. Esperamos que eles sirvam de base para a adoção de intervenções personalizadas que façam sentido, que dialoguem e que contribuam para a convivência ética na comunidade escolar.


Refletindo sobre os problemas de convivência.

Diariamente presenciamos problemas de convivência em sala de aula, nem sempre fáceis ou simples de serem equacionados. Alguns, em especial, ecoam por mais tempo em cada um de nós e, como tocam nosso senso moral, desencadeiam torrentes de sentimento. Pensando nisso, convidamos você a ler a situação descrita a seguir e a refletir sobre ela.

Rafaela é professora de matemática do 8º ano. Ela ministra aulas em várias turmas, mas em uma, especialmente, sente-se desmotivada. As situações se repetem: sala com muito ruído, alunos em pé, gritando, ninguém se escuta. A professora já tentou de tudo: anda pela sala, pede aos alunos que estão em pé para se sentarem, diz que está cansada, refaz combinados, encaminha para a coordenação, envia comunicado às famílias… Mas nada parece funcionar.

Lendo esse relato, que tipos de problema de convivência você diria que a professora Rafaela tem enfrentado?

1 – indisciplina; 2 – violência; 3 – bullying/cyberbullying; 4 – transgressão; 5 – incivilidade.

  • Você já passou por situações parecidas com essa da professora Rafaela? Revisite sua trajetória como educador buscando na memória uma situação semelhante e anote-a em seu caderno. Esse registro será utilizado em outras atividades ao longo deste curso, por isso é importante tê-lo à mão.
  • Procure classificar a situação que você relatou de acordo com os tipos de problema de convivência já mencionados nas atividades 1 e 2 deste curso. Se quiser, reveja as imagens da atividade 1, pois elas podem apoiá-lo nessa classificação.

Estudando sobre os problemas de convivência.

O aprimoramento de nossa prática educativa se dá em um ciclo que envolve experiência, reflexão aliada ao estudo e ação.

Por isso, é essencial estudar temas que representam desafios para nossa ação em sala de aula no que diz respeito aos problemas de convivência e criar observáveis para melhorar nossa prática.

Indicamos, então, a leitura do artigo O desafio da convivência, de Telma Vinha e Cesar A. Amaral Nunes, em que os autores abordam os diversos problemas de convivência que enfrentamos na escola. Que tal parar uns minutos e ler esse artigo?

Agora é o momento de refletir sobre a leitura! Trouxemos algumas questões para guiar você nessa reflexão. Vamos lá?

a. O que mais chamou sua atenção na leitura do artigo?
b. A partir das discussões apresentadas no texto compartilhado, cite duas estratégias que podem ser usadas por você na gestão da sala de aula.
c. O artigo destaca que a escola aparentemente trata como normal o problema da violência de gênero e orientação sexual. O que você pensa sobre isso?
d. Reflita novamente sobre a situação que você resgatou de sua memória na atividade anterior e sobre a experiência da professora Rafaela. Algo mudou na forma como você vê os problemas de convivência? Se sim, o que mudou? Há algo que você pretende passar a observar de agora em diante? Anote suas respostas e considerações em seu caderno pessoal.

Diário reflexivo: ferramenta de estudo dos problemas de convivência.

O diário reflexivo é uma importante ferramenta de estudo porque, por meio da narrativa, potencializamos a experiência pessoal e profissional, além do desenvolvimento da responsabilidade social e dos comportamentos orientados por princípios éticos.

A narrativa evidencia a combinação de conhecimentos, capacidades e atitudes. Nesse sentido, o diário reflexivo depende, entre outros elementos, da análise e da discussão de casos.

Para fazer um diário reflexivo no contexto do cotidiano escolar, considere os passos descritos a seguir.

  1. A escrita no diário começa dando destaque a uma situação marcante que vivemos ou de que tivemos notícia. Por isso, o primeiro passo é apresentar essa situação sem filtros e apontar de que forma ela nos toca e que sentimentos e ideias ela nos desperta.
  2. A escrita continua com nossa reflexão sobre essa situação: quais são os riscos que se apresentam; quais são os impactos para os envolvidos e para a turma no que se refere à qualidade das relações e às aprendizagens; quais são os desafios que se apresentam para o professor e para a própria gestão escolar, etc.
  3. Você vai observar que algumas dessas questões se destacam em sua reflexão. Vale a pena deter-se mais nelas. Aqui pode ser interessante fazer relação com alguns autores ou textos que são referência para você quando se depara com esse tipo de situação. Esse diálogo com a teoria pode ajudar a iluminar novos caminhos e formas de reequacionar as situações vividas.
  4. Para finalizar essa escrita no diário, vale se perguntar sobre possíveis encaminhamentos para superar os desafios vividos no cotidiano escolar e aprender com eles, criando práticas que colaborem com melhores relações entre todos.
  5. Agora, que tal exercitar essa ferramenta de estudo?

Para isso, leia os dois relatos a seguir, escolha aquele que foi mais impactante para você e, a partir dele, faça um diário reflexivo.

Relato 1

Trecho do capítulo “Escola é lugar de agressão?”, do livro Desafios reais do cotidiano escolar brasileiro, coordenado por Katherine K. Merseth.

A aluna Larissa do 8º ano entrou na sala da coordenadora pedagógica correndo e com as duas mãos pressionando as narinas que sangravam. A coordenadora Luzia prontamente se levantou para acolher a estudante, como sempre fazia em uma emergência ou necessidade. […] Larissa era uma menina tímida, que tinha dirigido a palavra poucas vezes à Luzia. Porém, ao caminharem em direção ao banheiro que ficava bastante próximo, conversaram bastante sobre o ocorrido. Larissa contou que um colega da mesma sala lhe dera um soco no nariz de maneira inesperada e descabida, só porque ela tinha pedido para ele parar de gritar e pular pela sala, pois queria fazer uma atividade com mais concentração, e isso estava difícil. Já havia muito barulho na classe e esse colega estava tumultuando o ambiente ainda mais.

Fonte: MERSETH, Katherine K. (coord.). Desafios reais do cotidiano escolar brasileiro: 22 dilemas vividos por diretores, coordenadores e professores em escolas de todo o Brasil. São Paulo: Moderna, 2018.

Relato 2

Trecho do capítulo “Relações na escola, a escola de relações”, do livro La scuola e l’arte di ascoltare. Gli ingredienti delle scuole felici, de Marianella Sclavi e Gabriella Giornelli (tradução para fins didáticos).

Tento entender o que aconteceu. Não é fácil.

Ao chegar à escola, vejo que um menino está andando de um lado para o outro na frente do prédio. Descubro mais tarde que também está envolvido na confusão: ele está lá para proteger “sua namorada” de qualquer ataque.

Entendi, portanto, que o fato envolve duas meninas da mesma turma e que há uma história de amor no meio, mas que a aluna que sofreu a agressão física é de outra escola.

Aparentemente toda a turma está dividida em apoiadores e opositores, e ameaças ou outras manifestações acabaram isolando uma das duas meninas, a Agnes, tida como a principal culpada, responsável, segundo os demais, por “flertar” com o menino (o que está de fora da escola) que já era namorado da Claudia. A agressora não é a Claudia, mas sua amiga mais próxima chamada Manuela.

O evento não é nada claro, e a dinâmica do que aconteceu fica ainda mais confusa quando ouço as duas versões conflitantes depois de ter falado separadamente com as duas protagonistas.

Decido então que o fato de não entender nada é o mal menor, mas que, se quero acalmar os ânimos, devo agir de modo rápido e imediatamente. Eu propus organizar uma mediação criativa entre todas as partes envolvidas, a qual foi realizada com sucesso.

No entanto, o que quero destacar aqui é como certos desenvolvimentos na história são tão emocionalmente envolventes que envolvem e bloqueiam ações em outros campos e que a incapacidade de conter as emoções vivenciadas desencadeia uma agressão quase raivosa. A isso, somam-se a eventos pessoais, frustrações ou dores que não são fáceis de aceitar e que os alunos não são educados para entender e apoiar.

[…] Este não é um caso isolado, mas a ponta de um fenômeno muito difundido que a escola não tem dado muita importância: a incapacidade de muitos jovens de compreender suas emoções, de saber ler as dos outros, de se colocar no lugar de quem está acusando, zombando ou batendo.

Fonte: SCLAVI, Marianella; GIORNELLI, Gabriella. La scuola e l’arte di ascoltare. Gli ingredienti delle scuole felici. Milano: Feltrinelli Editore, 2014.

Agora que você leu os dois relatos, escolha um deles e inicie seu diário reflexivo, apresentando o relato brevemente e compartilhando os sentimentos e as ideias que essa situação provocou em você.

Abaixo, relembramos os passos do diário reflexivo.

  • Dar destaque à situação escolhida, apresentando-a sem filtros. Apontar de que forma ela te toca e que sentimentos e ideias ela desperta em você.
  • Seguir a escrita realizando uma reflexão sobre essa situação: quais são os riscos que se apresentam; quais são os impactos para os envolvidos e para a turma no que se refere à qualidade das relações e às aprendizagens; quais são os desafios que se apresentam para o professor e para a própria gestão escolar, etc.
  • Observar quais pontos ou questões se destacam mais em sua reflexão, pois vale a pena deter-se mais nelas. Aqui, pode ser interessante fazer relação com alguns autores ou textos que são referência para você quando se depara com esse tipo de situação. Esse diálogo com a teoria pode ajudar a iluminar novos caminhos e formas de reequacionar as situações vividas.
  • Para finalizar essa escrita no diário, se pergunte sobre possíveis encaminhamentos para superar os desafios vividos nesta situação e aprender com eles, criando práticas que colaborem com melhores relações entre todos.

Fonte: Vivescer

Projeto DESCONecta: Educação para o Uso Consciente das Telas

 


DESCONecta: Educação para o Uso Consciente das Telas

Projeto pedagógico preventivo sobre o uso excessivo de celulares e redes sociais na escola

1. Apresentação

O celular tornou-se parte integrante da vida cotidiana de crianças, adolescentes e adultos. Nas escolas, entretanto, seu uso inadequado ou excessivo pode produzir desafios pedagógicos relacionados à atenção, concentração, interação presencial, organização dos estudos e qualidade das relações interpessoais.

Diante desse cenário, a escola não precisa tratar a tecnologia apenas como um problema a ser eliminado. É necessário educar para que os estudantes desenvolvam critérios para utilizá-la de maneira consciente, equilibrada, responsável e produtiva.

O projeto “DESCONecta: Educação para o Uso Consciente das Telas” propõe um conjunto de ações preventivas destinadas a estudantes, professores e famílias, tendo como princípio a construção de uma relação mais saudável com celulares, redes sociais, jogos, vídeos e demais recursos digitais.

A expressão DESCONecta não significa necessariamente abandonar a tecnologia. Significa aprender a desconectar-se voluntariamente quando a situação exige atenção ao mundo real, às pessoas, aos estudos, ao descanso e às próprias necessidades.


2. Tema

Uso consciente de celulares, redes sociais e outras tecnologias digitais no ambiente escolar e na vida cotidiana.


3. Problema

Como prevenir o uso excessivo e inadequado de celulares e redes sociais por estudantes, promovendo equilíbrio entre a vida digital, os estudos, o sono, as relações presenciais, o lazer e o desenvolvimento pessoal?


4. Justificativa

A presença constante das tecnologias digitais modificou significativamente as formas de comunicação, entretenimento, acesso à informação e aprendizagem. O desafio contemporâneo da escola não consiste simplesmente em aceitar ou rejeitar essas tecnologias, mas em desenvolver nos estudantes competências que lhes permitam utilizá-las de maneira crítica e responsável.

O uso excessivo das telas pode estar associado a dificuldades relacionadas à atenção, ao sono, à redução das interações presenciais e à organização da rotina. Por essa razão, ações exclusivamente disciplinares ou proibitivas podem ser insuficientes quando não são acompanhadas de processos educativos.

O projeto parte de uma perspectiva preventiva: antes de punir o uso inadequado, é necessário ensinar o estudante a compreender seus próprios hábitos digitais e desenvolver estratégias de autorregulação.

Nesse sentido, a escola pode atuar como espaço de conscientização, diálogo e construção de hábitos saudáveis.

A proposta dialoga com contribuições teóricas da aprendizagem social de Albert Bandura, especialmente quanto à observação, autorregulação e influência do ambiente sobre os comportamentos; com Paulo Freire, ao valorizar o diálogo e a problematização da realidade; e com abordagens contemporâneas de educação midiática e cidadania digital.


5. Objetivo geral

Promover a conscientização de estudantes sobre os impactos do uso excessivo de celulares e redes sociais, desenvolvendo estratégias de autorregulação e utilização consciente, equilibrada, segura e responsável das tecnologias digitais.


6. Objetivos específicos

  • Identificar hábitos relacionados ao uso de celulares e redes sociais.
  • Refletir sobre o tempo diário destinado às telas.
  • Compreender a importância do sono e do descanso.
  • Desenvolver estratégias de autorregulação do uso tecnológico.
  • Estimular momentos de interação presencial.
  • Discutir os impactos das notificações e das interrupções constantes.
  • Refletir sobre comparação social e exposição nas redes.
  • Desenvolver pensamento crítico diante dos conteúdos digitais.
  • Prevenir situações de cyberbullying.
  • Incentivar o uso pedagógico e produtivo das tecnologias.
  • Orientar estudantes sobre privacidade e segurança digital.
  • Envolver as famílias na construção de hábitos digitais equilibrados.
  • Promover alternativas de lazer que não dependam exclusivamente das telas.

7. Público-alvo

O projeto pode ser desenvolvido com:

  • estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental;
  • estudantes do Ensino Médio;
  • professores;
  • equipes pedagógicas;
  • famílias e responsáveis.

As atividades podem ser adaptadas conforme a faixa etária.


8. Duração

Sugestão: 8 semanas, com uma atividade principal por semana.

O projeto também pode ser transformado em uma campanha permanente da escola.


9. Metodologia

A metodologia será baseada em educação preventiva, diálogo, participação dos estudantes, autorreflexão e aprendizagem baseada em situações do cotidiano.

A proposta não deve apresentar o celular simplesmente como inimigo da aprendizagem. O objetivo é ensinar o estudante a responder a perguntas como:

Eu controlo minha tecnologia ou minha tecnologia controla meus hábitos?

As atividades deverão partir de situações concretas vivenciadas pelos estudantes, possibilitando a construção coletiva de estratégias de mudança.


10. Atividades práticas preventivas

ATIVIDADE 1 – “Quanto tempo eu passo conectado?”

Objetivo

Levar o estudante a conhecer seus próprios hábitos digitais.

Desenvolvimento

Durante três dias, os estudantes registrarão:

  • horário em que começam a utilizar o celular;
  • tempo aproximado de utilização;
  • aplicativos mais utilizados;
  • finalidade do uso;
  • momentos em que utilizaram o aparelho sem necessidade;
  • como se sentiram antes e depois do uso.

Depois, a turma poderá discutir:

Quanto tempo do meu dia pertence realmente a mim?

Importante: o professor não deve transformar o registro em instrumento de fiscalização individual. O objetivo é promover autoconhecimento, e não constrangimento.


ATIVIDADE 2 – “O desafio dos 30 minutos”

Durante uma semana, cada estudante escolherá diariamente 30 minutos sem celular, preferencialmente em um período previamente combinado.

Nesse intervalo, poderá:

  • caminhar;
  • conversar com alguém;
  • ler;
  • desenhar;
  • praticar esporte;
  • ouvir música sem utilizar redes sociais;
  • brincar;
  • estudar;
  • realizar uma atividade artística.

Ao final, os estudantes responderão:

O que eu fiz durante esses 30 minutos?

Foi difícil ficar sem o celular?

O que descobri sobre meus hábitos?


ATIVIDADE 3 – “Caça às notificações”

O professor apresentará uma pergunta:

Quantas vezes durante o dia alguém ou alguma coisa interrompe minha atenção?

Os estudantes poderão analisar suas notificações e classificá-las em:

Necessárias | Importantes | Dispensáveis

Em seguida, poderão discutir quais notificações realmente precisam permanecer ativadas.

A atividade pode culminar em uma reflexão:

Nem toda notificação merece a minha atenção imediatamente.


ATIVIDADE 4 – “Celular na hora certa”

A turma deverá elaborar coletivamente um Mapa dos Momentos Sem Tela.

Exemplos:

🍽️ durante as refeições;

📚 durante determinados períodos de estudo;

🛏️ próximo ao horário de dormir;

🗣️ durante conversas importantes;

🏃 durante atividades físicas;

👨‍👩‍👧 durante momentos familiares;

🏫 em situações pedagógicas nas quais o aparelho não esteja sendo utilizado para fins educacionais.

O objetivo não é estabelecer uma regra universal, mas ajudar os estudantes a identificar situações nas quais a presença constante da tela pode atrapalhar uma experiência mais importante.


ATIVIDADE 5 – “Quem está controlando quem?”

O professor apresentará situações fictícias:

“João pega o celular para responder uma mensagem. Depois abre uma rede social. Em seguida assiste a um vídeo. Depois vê outro. Quando percebe, passaram-se 40 minutos.”

A turma deverá discutir:

  • Por que João continuou conectado?
  • Ele pretendia ficar 40 minutos no celular?
  • O que poderia ter interrompido esse comportamento?
  • Existem estratégias para recuperar o controle da atenção?

A atividade introduz o conceito de autorregulação.


ATIVIDADE 6 – “Uma aula sem celular”

Uma vez por semana, uma aula poderá ser realizada sem a utilização de celulares.

O professor deverá propor uma atividade que valorize:

  • diálogo;
  • leitura;
  • escrita;
  • debate;
  • desenho;
  • experimentação;
  • atividade física;
  • trabalho colaborativo.

Ao final, os estudantes responderão:

O que foi diferente quando não utilizamos o celular?

A intenção não é demonizar a tecnologia, mas demonstrar que existem diferentes formas de aprender, comunicar-se e ocupar o tempo.


ATIVIDADE 7 – “Desafio: converse comigo”

Os estudantes formarão duplas.

Durante alguns minutos, deverão conversar presencialmente sobre um tema previamente definido, sem utilizar celulares.

Sugestões:

  • um sonho para o futuro;
  • uma pessoa que admiram;
  • um lugar que gostariam de conhecer;
  • uma experiência marcante;
  • algo que gostariam de aprender.

Depois, cada estudante apresentará ao grupo uma coisa que descobriu sobre o colega.

A atividade trabalha a escuta, a empatia e a comunicação presencial.


ATIVIDADE 8 – “O que as redes mostram e o que escondem?”

O professor apresentará exemplos fictícios de publicações extremamente positivas:

“Minha vida é perfeita!”

“Meu corpo está perfeito!”

“Minha viagem foi incrível!”

“Tenho os melhores amigos!”

A turma discutirá:

  • Uma publicação representa toda a realidade de uma pessoa?
  • Por que as pessoas mostram apenas determinados momentos?
  • Como a comparação pode afetar nossa percepção de nós mesmos?
  • Como desenvolver uma postura crítica diante das redes sociais?

A atividade pode trabalhar alfabetização midiática e pensamento crítico.


ATIVIDADE 9 – “Detetives do algoritmo”

Os estudantes pesquisarão como as plataformas digitais podem recomendar conteúdos com base no comportamento dos usuários.

Depois, discutirão:

Por que aparecem determinados vídeos para mim?

Por que uma pessoa recebe conteúdos diferentes dos meus?

Como minhas escolhas influenciam aquilo que aparece na minha tela?

O objetivo é desenvolver consciência sobre o ambiente digital e reduzir a ideia de que aquilo que aparece na tela é simplesmente uma representação neutra da realidade.


ATIVIDADE 10 – “Meu contrato comigo mesmo”

Ao final do projeto, cada estudante elaborará um compromisso pessoal.

Exemplos:

“Vou evitar utilizar o celular durante as refeições.”

“Vou reservar um período do meu dia para ficar longe das telas.”

“Vou evitar levar o celular para a cama.”

“Vou pensar antes de compartilhar conteúdos.”

“Vou priorizar as pessoas que estão comigo presencialmente.”

O compromisso deverá ser realista, individual e possível de cumprir.


11. Envolvimento das famílias

A participação da família é fundamental.

A escola poderá promover uma reunião ou oficina denominada:

“Família Conectada, Família Consciente”

Temas sugeridos:

  • estabelecimento de rotinas;
  • equilíbrio entre telas e outras atividades;
  • acompanhamento do uso das redes;
  • diálogo sobre segurança digital;
  • importância do sono;
  • exemplo dos adultos;
  • cyberbullying;
  • exposição de informações pessoais;
  • construção de combinados familiares.

Uma pergunta pode orientar a oficina:

Que exemplo de uso da tecnologia estamos oferecendo às nossas crianças e adolescentes?


12. Campanha escolar

A escola poderá criar a campanha:

📵 “DESCONecta: Olhe para a Vida!”

Durante uma semana, poderão ser espalhados cartazes pelos espaços escolares com frases como:

“Nem tudo precisa ser registrado. Algumas experiências precisam ser vividas.”

“Sua atenção é um recurso precioso.”

“Desligar a tela também é uma forma de estar presente.”

“Conecte-se com pessoas, não apenas com redes.”

“Use a tecnologia. Não deixe que ela use você.”


13. Produção dos estudantes

Como produto final, os estudantes poderão produzir:

  • cartazes;
  • vídeos educativos;
  • podcasts;
  • histórias em quadrinhos;
  • campanhas digitais;
  • poemas;
  • textos argumentativos;
  • infográficos;
  • podcasts sobre cidadania digital;
  • vídeos de conscientização;
  • peças teatrais;
  • murais.

Uma excelente atividade seria criar a campanha:

“5 atitudes para recuperar o controle do meu tempo digital”

Cada turma produziria suas próprias recomendações.


14. Avaliação

A avaliação deverá ser predominantemente formativa, observando mudanças na percepção e nos hábitos dos estudantes.

Podem ser utilizados:

Questionário inicial

O estudante responde antes do projeto:

  • Quanto tempo aproximadamente utilizo o celular?
  • Uso celular antes de dormir?
  • Tenho dificuldade para ficar algum tempo sem celular?
  • Costumo verificar notificações durante os estudos?
  • Já deixei de conversar com alguém porque estava utilizando o celular?

Questionário final

As mesmas questões podem ser reaplicadas após o projeto.

Além disso, poderão ser observados:

  • participação nas atividades;
  • capacidade de reflexão;
  • compreensão dos riscos digitais;
  • desenvolvimento de estratégias de autorregulação;
  • participação em atividades presenciais;
  • percepção sobre equilíbrio entre vida digital e vida presencial.

15. Indicadores de resultado

A escola poderá acompanhar indicadores como:

  • participação dos estudantes nas atividades;
  • percepção sobre o próprio uso do celular;
  • redução de interrupções durante determinadas atividades pedagógicas;
  • aumento da participação em atividades presenciais;
  • conhecimento sobre segurança digital;
  • percepção dos estudantes sobre equilíbrio entre telas e outras atividades;
  • participação das famílias;
  • ocorrências relacionadas a conflitos digitais e cyberbullying.

Os indicadores devem ser utilizados para avaliar o projeto, e não para rotular ou punir estudantes.


16. Princípio pedagógico fundamental

O projeto deve evitar a ideia de que “celular é ruim”.

A questão pedagógica mais importante é outra:

Como formar estudantes capazes de utilizar tecnologias sem perder a capacidade de controlar a própria atenção, administrar seu tempo, estabelecer relações presenciais e fazer escolhas conscientes?

Essa mudança de perspectiva é fundamental.

A escola do século XXI não precisa simplesmente formar estudantes capazes de utilizar tecnologia. Precisa formar pessoas capazes de decidir quando utilizar, como utilizar e quando é necessário desconectar-se.


17. Resultados esperados

Espera-se que o projeto contribua para:

  • maior consciência sobre hábitos digitais;
  • desenvolvimento da autorregulação;
  • utilização mais responsável das redes sociais;
  • fortalecimento das relações presenciais;
  • melhoria da atenção durante determinadas atividades;
  • compreensão dos riscos relacionados à exposição digital;
  • prevenção do cyberbullying;
  • fortalecimento da cidadania digital;
  • maior participação das famílias;
  • construção de uma cultura escolar de equilíbrio tecnológico.

18. Considerações finais

A tecnologia já faz parte da realidade dos estudantes e continuará fazendo parte do futuro. Por isso, a escola não pode limitar sua atuação à simples proibição.

A educação preventiva precisa ajudar crianças e adolescentes a compreender que tecnologia é ferramenta, não finalidade de existência.

Ensinar a desconectar-se é, nesse sentido, ensinar a escolher.

É ensinar que uma conversa pode ser mais importante que uma notificação; que uma noite de sono pode ser mais importante que mais um vídeo; que uma experiência vivida não precisa necessariamente ser publicada; e que estar presente em determinado momento também é uma forma de cuidar de si e dos outros.

O propósito do DESCONecta não é retirar os estudantes do mundo digital, mas ajudá-los a permanecer nele sem perder a capacidade de viver plenamente fora das telas.

Frase para divulgação do projeto

“Desconectar-se da tela por alguns momentos é uma forma de reconectar-se com a vida.”



 

29 de Agosto - Dia Nacional de Combate ao Tabagismo: O Desafio Contínuo e a Conscientização Juvenil



Dia Nacional de Combate ao Tabagismo: 
O Desafio Contínuo e a Conscientização Juvenil


Criado em 1986 pela Lei Federal nº 7.488, o dia 29 de agosto marca o Dia Nacional de Combate ao Tabagismo. A data visa conscientizar e mobilizar a população brasileira sobre os diversos riscos decorrentes do consumo do tabaco — considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável no mundo.

Nos últimos anos, a discussão ganhou novos contornos. Embora o Brasil tenha reduzido drasticamente o número de fumantes nas últimas décadas, o surgimento de novos produtos — como os cigarros eletrônicos (vapes), podpads e o uso do narguilé — reacendeu o alerta das autoridades de saúde. Disfarçados com aromas agradáveis e apelos tecnológicos, esses dispositivos atraem especialmente o público jovem, criando uma falsa sensação de inocuidade enquanto entregam altas doses de nicotina e substâncias tóxicas.

Combater o tabagismo vai além de tratar o vício adulto: trata-se de prevenir a iniciação na infância e na juventude. É nesse cenário que o ambiente escolar assume papel estratégico como espaço de reflexão crítica, ciência e promoção da saúde.

Atividades Pedagógicas para Ambientes Escolares

Ensino Fundamental

  1. Desenho e Colagem "Pulmão Saudável vs. Pulmão do Fumante":

    • Objetivo: Apresentar visualmente os efeitos biológicos do tabaco.

    • Dinâmica: Usando papéis coloridos, algodão e tintas, os alunos constroem dois modelos anatômicos de pulmões para comparar as diferenças visuais e táteis de um órgão saudável e de outro exposto às substâncias químicas.

  2. O Experimento da Garrafa e do Algodão:

    • Objetivo: Demonstrar a impregnação de alcatrão e resíduos na respiração.

    • Dinâmica: O professor realiza a demonstração prática utilizando uma garrafa pet, uma bomba de ar e um filtro de algodão simulando o ato de tragar. As crianças observam o escurecimento do algodão e o cheiro residual gerado pela fumaça.

  3. Criação do "Mealheiro da Saúde":

    • Objetivo: Trabalhar matemática financeira e benefícios do não fumar.

    • Dinâmica: Os alunos constroem um cofre com materiais recicláveis e realizam cálculos para descobrir quanto dinheiro uma pessoa economiza por mês/ano ao não comprar maços de cigarro ou e-liquids, discutindo quais metas/viagens poderiam ser realizadas com esse valor.

  4. Teatrinho "Dizendo Não às Pressões dos Pares":

    • Objetivo: Desenvolver assertividade e inteligência emocional em situações sociais.

    • Dinâmica: Em pequenos grupos, as crianças criam pequenas esquetes encenando situações onde um amigo oferece um cigarro/vape e o protagonista encontra formas criativas e firmes de recusar.

  5. Sopa de Letras e Jogo dos Erros dos Rótulos:

    • Objetivo: Fixação do vocabulário sobre saúde e substâncias nocivas.

    • Dinâmica: Caça-palavras com termos como Nicotina, Alcatrão, Saúde, Poluição e Ar Puro, complementado por um jogo onde as crianças identificam mitos e verdades sobre produtos de tabaco.

Ensino Médio

  1. Debate Regrado: Marketing da Indústria do Tabaco x Cigarros Eletrônicos:

    • Objetivo: Estimular o pensamento crítico sobre as estratégias publicitárias voltadas aos jovens.

    • Dinâmica: Os estudantes analisam campanhas de marketing antigas e atuais (incluindo influenciadores digitais e redes sociais) e debatem o impacto dos aromas artificiais e do design dos vapes na indução do vício em jovens.

  2. Infográficos Interativos sobre Composição Química:

    • Objetivo: Integrar os conteúdos de Química e Biologia ao cotidiano.

    • Dinâmica: Pesquisa em laboratório/internet sobre os componentes presentes no tabaco, no narguilé e nos cigarros eletrônicos. Cada grupo desenvolve um infográfico digital (utilizando plataformas como Canva) mapeando como cada química afeta os sistemas circulatório, nervoso e respiratório.

  3. Júri Simulado: Regulamentação de Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs):

    • Objetivo: Desenvolver argumentação jurídica, ética e de saúde pública.

    • Dinâmica: A turma se divide em papéis (promotoria, defesa, testemunhas especialistas, comunidade médica e júri) para julgar a manutenção da proibição da venda e importação dos cigarros eletrônicos no Brasil pela ANVISA.

  4. Podcast ou Vídeo Educativo "Verdades e Mitos sobre o Vape":

    • Objetivo: Produção de conteúdo audiovisual para conscientização da comunidade escolar.

    • Dinâmica: Os alunos gravam episódios curtos de podcast ou vídeos no formato de reels/shorts desmistificando frases como "vape é só vapor de água" ou "narguilé não faz mal".

  5. Ação Comunitária: Pesquisa de Percepção Local:

    • Objetivo: Promover a investigação científica e estatística social.

    • Dinâmica: Formulação de um questionário anônimo para aplicação entre familiares ou na comunidade local abordando a idade de início no tabagismo, percepção dos riscos dos e-cigarros e conhecimento dos tratamentos disponíveis no SUS. Os resultados são apresentados em gráficos na feira de ciências da escola.

7 Portais e Plataformas com Materiais Gratuitos para Download

  1. INCA (Instituto Nacional de Câncer): gov.br/inca - Disponibiliza cartilhas educativas, dados do Programa Nacional de Controle do Tabagismo e materiais de campanhas oficiais para impressão.

  2. ACT Promoção da Saúde: actbr.org.br - Organização da sociedade civil com relatórios técnicos, infográficos e publicações sobre o impacto econômico e sanitário do tabaco e e-cigarros.

  3. Ministério da Saúde - Biblioteca Virtual em Saúde: bvsms.saude.gov.br - Acervo com manuais de capacitação, folhetos explicativos e cartazes de conscientização em PDF.

  4. SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia): sbpt.org.br - Oferece diretrizes médicas, folhetos explicativos para pacientes e artigos focados nas consequências respiratórias.

  5. Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS): paho.org/pt/brasil - Materiais globais adaptados para o português com dados atualizados, vídeos e cartazes para campanhas de saúde pública.

  6. FIOCRUZ (Fundação Oswaldo Cruz): portal.fiocruz.br - Estudos, dossiês e materiais pedagógicos no Portal de Divulgação Científica voltados para o controle de vetores de risco à saúde, incluindo o tabagismo.

  7. Portal do Programa Saber Saúde (INCA): inca.gov.br/saber-saude - Programa direcionado para a formação de educadores da rede escolar, contendo cadernos de atividades e projetos pedagógicos estruturados.

Estudo de Caso: Incidente com Substâncias Ilícitas no Ambiente Escolar | O Que Fazer?

 


Estudo de Caso: Incidente com Substâncias Ilícitas no Ambiente Escolar


Por:

Jorge Schemes


Durante o intervalo das aulas, a equipe de inspeção escolar flagrou três estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental (com idades entre 14 e 15 anos) consumindo maconha nos fundos da quadra poliesportiva. Um dos estudantes trazia consigo duas porções adicionais da substância embaladas na mochila.

Análise das Dimensões da Intervenção


  • Dimensão Pedagógica: A abordagem deve evitar o caráter meramente punitivo ou de exposição do estudante. O foco central é a conscientização, o acolhimento e a redução de danos, garantindo a continuidade da vida escolar e o acompanhamento preventivo contínuo no currículo.

  • Dimensão Ética: Exige preservação absoluta da imagem, identidade e privacidade dos adolescentes perante a comunidade escolar. A postura da equipe deve ser neutra, empática e firme, sem julgamentos morais, tratando o consumo de substâncias sob a ótica do cuidado e da saúde pública.

  • Dimensão Legal: Em conformidade com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA - Lei nº 8.069/1990) e a Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006), os adolescentes são sujeitos de direitos e inimputáveis penalmente. A escola tem a obrigação legal de notificar os responsáveis e comunicar o Conselho Tutelar. É vedada qualquer conduta de busca pessoal ostensiva ou revistamento corporal por parte dos funcionários.

Protocolo Institucional de Intervenção

EtapaAção ImediataResponsávelProcedimento Padronizado
1. Contenção DiscretaAbordagem e IsolamentoInspeção / Orientação EscolarRetirar os alunos da área comum de forma discreta, encaminhando-os à sala da Direção/Orientação sem alarde.
2. Custódia do MaterialApreensão PassivaDireção EscolarSolicitar que o aluno coloque o material sobre a mesa. Não realizar revistas físicas nas mochilas ou roupas dos estudantes.
3. Notificação FamiliarConvocação dos ResponsáveisOrientação EducacionalContatar os pais/responsáveis para comparência imediata na unidade escolar para ciência docorrido.
4. Notificação OrgânicaAcionamento de RedeGestão EscolarComunicar o Conselho Tutelar do município e formalizar relatório circunstanciado (sem atribuir crime ao adolescente).
5. Encaminhamento de SaúdeRede de Proteção SocialServiço Social / OrientaçãoEncaminhar a família para atendimento no CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas) ou CRAS da região.
6. Medida EducativaRestauração e AcompanhamentoConselho Escolar / PedagogosAplicação de medida pedagógica restaurativa (trabalhos temáticos, apoio psicológico e acompanhamento de frequência), evitando a expulsão.

Essa é uma das situações mais complexas e delicadas que a gestão escolar pode enfrentar. O desafio reside em equilibrar a função educacional e de proteção da escola (prevista no ECA) com a necessidade imperiosa de garantir a segurança de toda a comunidade escolar (alunos, professores e funcionários).

Havendo resistência ativa ou atos de violência por parte dos adolescentes, o protocolo pedagógico inicial deve ser imediatamente suspenso em favor de um protocolo de segurança e contenção de danos.

Abaixo, detalhamos o que fazer, o respaldo legal para chamar a polícia e os procedimentos corretos.

1. O que fazer em caso de Resistência ou Violência


A prioridade absoluta passa a ser a integridade física das pessoas. A gestão deve agir com firmeza, mas sem perder a calma.

Ações Imediatas de Contenção:


  1. Afastamento e Isolamento:

    • Se os alunos violentos estiverem em área comum, evacue os outros alunos e funcionários do local para protegê-los.

    • Se possível, tente isolar os alunos envolvidos em uma sala segura, mas nunca se tranque sozinho com eles. Mantenha sempre outros adultos por perto (vice-diretor, coordenador, inspetor).

  2. Mediação de Crise (Se possível):

    • Utilize um tom de voz firme, mas baixo e controlado. Evite gritar ou fazer ameaças, pois isso pode escalar a violência.

    • Tente desescalar a situação através da fala, buscando a "redução de danos" imediata. O objetivo não é mais discutir o uso de drogas, mas sim cessar a violência.

  3. Contenção Física (Apenas em Último Caso e com Técnica):

    • A contenção física por funcionários deve ser evitada ao máximo. Ela só é justificável em caso de legítima defesa ou para impedir que o aluno machuque a si mesmo ou a terceiros.

    • Deve ser feita de forma proporcional, usando o mínimo de força necessária, preferencialmente por mais de um adulto treinado, evitando técnicas que possam asfixiar ou lesionar o adolescente.

2. É possível chamar a polícia na escola?


Sim, é possível e, em muitos casos de violência, obrigatório.

A escola não é um território extraterritorial onde as leis do país não se aplicam. Os gestores escolares têm a responsabilidade legal de zelar pela segurança de todos dentro da unidade. Isentar-se de chamar ajuda policial em uma situação de perigo iminente pode configurar negligência ou omissão por parte da direção.

Quando Chamar a Polícia (190):


Você deve chamar a Polícia Militar imediatamente se:

  1. Houver violência física ativa: Alunos agredindo fisicamente funcionários, professores ou outros alunos.

  2. Houver ameaça iminente à vida ou integridade física: O aluno está armado (faca, arma de fogo ou objeto contundente) e ameaça usá-lo.

  3. Houver resistência violenta injustificável: O aluno destrói patrimônio da escola e coloca pessoas em risco ao resistir à contenção da equipe escolar.

  4. A situação fugir do controle da gestão: A equipe escolar não consegue mais garantir a segurança no ambiente.

Como deve ser a atuação policial na escola:


  • A polícia deve ser chamada para cessar a violência e garantir a segurança, não para exercer função pedagógica ou punitiva da escola.

  • Ao chegar, a polícia assume o controle da situação de segurança.

  • Os policiais devem atuar respeitando a dignidade do adolescente, utilizando força proporcional, conforme os protocolos de Direitos Humanos e o ECA.

  • O uso de algemas em adolescentes é excepcional, permitido apenas se houver perigo à integridade física própria ou alheia, ou risco de fuga, devendo ser justificado por escrito (Súmula Vinculante 11 do STF).

3. Qual o Respaldo Legal?


O respaldo legal para a ação da gestão escolar e para o acionamento da polícia baseia-se na proteção de direitos fundamentais e no cumprimento de deveres institucionais.

Diploma LegalArtigos Chave / ConceitoO que diz sobre o caso
Constituição Federal (CF/88)Art. 5º (Direito à vida e segurança); Art. 144 (Segurança pública é dever do Estado).Garante que todos têm direito à segurança. A polícia tem o dever constitucional de agir diante de crimes ou atos infracionais.
Código Penal (CP)Art. 23 (Legítima Defesa e Estrito Cumprimento do Dever Legal); Art. 24 (Estado de Necessidade).Resguarda funcionários que precisarem usar força proporcional para se defender ou defender terceiros de agressão injusta.
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA - Lei 8.069/90)
Art. 18 (Direito a não ser submetido a tratamento desumano, violento).


Art. 103 (Define Ato Infracional - conduta descrita como crime).


Art. 136 (Dever de comunicar o Conselho Tutelar).

Embora proteja o adolescente, o ECA também define que adolescentes cometem atos infracionais (como agressão ou tráfico de drogas). Diante de ato infracional, a autoridade policial deve ser acionada. A escola também deve comunicar o Conselho Tutelar imediatamente.
Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB - Lei 9.394/96)Art. 12, Inciso IX (Dever da escola de promover ambiente seguro).Estabelece que as escolas têm a incumbência de zelar pela segurança dos profissionais e dos alunos.

Resumo do Procedimento em Caso de Violência:


  1. Priorize a Segurança: Afaste as vítimas, isole os agressores se possível.

  2. Chame 190 (Polícia Militar): Informe claramente que há violência física ativa em ambiente escolar com adolescentes.

  3. Use Força Proporcional: Apenas se necessário para legítima defesa ou para impedir danos iminentes, até a chegada da polícia.

  4. Comunique os Responsáveis e o Conselho Tutelar: Logo após a contenção da crise.

  5. Registre Tudo: Elabore uma Ata de Ocorrência detalhada, registrando os fatos, os nomes das testemunhas e as ações tomadas.

  6. Encaminhe para a Rede de Proteção: Após a crise, os alunos devem ser encaminhados para acompanhamento psicológico e social (CRAS, CAPS AD), em paralelo às medidas socioeducativas aplicáveis pelo Judiciário.


Sites de Apoio e Canais Institucionais


Referências Bibliográficas


  • BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília, DF, 1990.

  • BRASIL. Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006. Institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (SISNAD). Brasília, DF, 2006.

  • GARCIA, M. L. T.; LEAL, F. X.; ABREU, C. C. A prevenção ao uso de drogas nas escolas: limites e possibilidades. Educação em Revista, v. 34, 2018.

  • SOUZA, R. C.; MOREIRA, M. I. C. A atuação da escola diante do uso de drogas por adolescentes: impasses éticos e pedagógicos. Psicologia Escolar e Educacional, v. 22, n. 3, p. 541-549, 2018.

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