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31 maio 2007

TABAGISMO - JORNAL DIÁRIO CATARINENSE DE 31 DE MAIO DE 2007

Aumenta o cerco aos fumantes:
No Dia Mundial sem Tabaco, a Organização Mundial de Saúde reforça a campanha pela proibição do fumo.

Fumante há sete décadas e meia, ex-presidente da Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo) Nestor Jost, 90 anos, acompanhará um novo round da luta antitabagista internacional. No Dia Mundial sem Tabaco, celebrado hoje, a Organização Mundial de Saúde (OMS) quer reforçar a transformação dos ambientes públicos fechados em ringue da batalha. A entidade ampliou a cobrança para que os países façam a proibição do cigarro, inclusive em fumódromos, em locais como bares, restaurantes e empresas.

O órgão busca incentivar o banimento total como forma de desestimular o consumo e reduzir os males aos fumantes passivos. Pensa que a medida ajudaria a frear um trágico número. Caso a lógica das estatísticas se confirme, o cigarro será o responsável pela morte de 548 brasileiros só nesta quinta-feira antitabaco: são 200 mil vítimas no país por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

O Brasil não conseguirá atender aos apelos da OMS tão cedo, mas se encaminha para que Jost, que também foi deputado federal pelo Rio Grande do Sul, e outros fumantes só consigam usar o cigarro em fumódromos nos ambientes fechados. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) encerra, hoje, a discussão pública sobre a proposta de eliminar as alas de fumantes e não-fumantes e criar as áreas exclusivas para o cigarro. Centenas de empresas se anteciparam à resolução e já criaram seus fumódromos.

Eles desagradam a Jost, que fuma, em média, 10 cigarros por dia. O ex-parlamentar defende a falta de necessidade do espaço, porque acredita que a implantação de alas em bares e restaurantes já harmonizou a relação entre fumantes e não-fumantes, mas não crê muito na continuidade da atual situação.

Brasil reduziu pela metade os fumantes em 20 anos

A história dá razão ao seu pessimismo. Jost começou a fumar por influência dos amigos com 14 anos, numa época em que o cigarro seduzia pelo glamour.

O tabaco manteve a imagem até os anos 1970, quando a mobilização médica contribuiu para que seu hábito fosse cada vez mais malvisto. Primeiro, Jost e outros fumantes precisaram apagar os cigarros nos aviões. Depois, a restrição chegou aos ônibus e, na década de 1990, em estabelecimentos comerciais e ambientes públicos. Nos anos 2000, a lei vetou o fumo nos anúncios.

O cerco tem surtido efeito. Em menos de duas décadas, o Brasil reduziu pela metade o percentual de fumantes. São 16%, segundo o Inca, contra 34% em 1989.

- O país entendeu que o tabagismo não é um estilo de vida, mas um problema de saúde - defende Vera Colombo, sanitarista do Inca.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, deve anunciar, hoje, uma política de atenção aos dependentes.


De acordo com os especialistas, existem três espécies de fumantes ativos. O impertinente, que fuma por prazer, o compulsivo, que utiliza o cigarro para preencher lacunas de qualquer ordem, e o fumante-vítima, que está consciente dos riscos do cigarro e fuma com culpa. O cigarro, então, torna-se ilusoriamente um grande amigo, o companheiro, algo que preenche o vazio, alivia a sensação de angústia.

- O alivio é momentâneo e, portanto, não diminui a angústia e nem resolve o problema. Então, fuma-se cada vez mais, diz Eliane Brito em entrevista ao DC.

Dependência psíquica é o maior entrave:
A droga psicoativa, relata a psicóloga, altera o sistema nervoso central, modificando o comportamento, o humor, a percepção e o estado emocional do sujeito.

O tratamento de um dependente químico - como é o caso do fumante - é demorado e exige persistência, diz a psicóloga, salientando que a dependência orgânica é mais fácil de tratar. No final de mais ou menos duas semanas, um indivíduo poderá estar desintoxicado.

Já a dependência psíquica levará um período bem maior e é mais difícil de ser tratada, pois exigirá grande esforço, continuidade, mudança de hábitos e de padrões de comportamento e de todos os rituais associados ao vício.

Por que parar de fumar?
Porque o cigarro é diretamente responsável por:
> 30% das mortes por câncer
> 90% das mortes por câncer de pulmão
> 25% das mortes por doença coronariana
> 25% das mortes por doença cerebrovascular
> O tabagismo está relacionado a aneurisma arterial, trombose vascular, úlcera do aparelho digestivo, infecções respiratórias e impotência sexual no homem.
> Os fumantes adoecem com freqüência duas vezes maior do que os não-fumantes. Têm menor resistência física, menos fôlego e pior desempenho nos esportes e na vida sexual do que os não-fumantes.
> A mulher grávida que fuma, além de correr o risco de abortar, tem uma maior chance de ter filho de baixo peso, menor tamanho e com defeitos congênitos. Os filhos de fumantes adoecem duas vezes mais do que os filhos de não-fumantes.
Os métodos:
Os médicos sugerem orientação especializada para aumentar as chances de sucesso. Para quem quiser arriscar, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) recomenda dois métodos principais:
> Parada imediata - Marque uma data para deixar de fumar. Esse método deve ser sempre a sua primeira opção. Transforme o seu primeiro dia sem cigarro numa data especial. Em vez de torná-lo um dia de sofrimento, faça dele uma ocasião especial.
> Parada Gradual - Reduza o número de cigarros por dia ou retarde a hora do primeiro cigarro. Para a estratégia funcionar, não gaste mais de duas semanas para colocá-la em prática.
Os tratamentos:
Procure um médico, que avaliará qual o melhor tratamento para você:
> Gomas de mascar ou adesivos de pele: fazem a reposição de nicotina e amenizam a vontade de fumar.
> Antidepressivos: remédios como a bupropiona amenizam os sintomas da crise de abstinência. Costumam ampliar, em duas vezes, as possibilidades de abandonar a dependência.
> Vareniclina: Ele também debela o desejo de fumar que instiga a recaída. É uma solução que chegou este mês ao mercado brasileiro. Aumenta as chances de deixar o fumo em quatro vezes.
As armadilhas
> Momentos de estresse - Acalme-se e procure entender que fumar não vai resolver os problemas.
> Vontade de fumar - Não dura mais do que cinco minutos. Nesses momentos, para ajudar, chupe gelo, escove os dentes a toda hora, beba água gelada ou coma uma fruta. Mantenha as mãos ocupadas com um elástico, pedaço de papel, rabisque alguma coisa ou manuseie objetos pequenos. Não fique parado, faça algo diferente que distraia sua atenção.
Os medos:
> Síndrome de abstinência - O organismo volta a funcionar normalmente sem a presença de substâncias tóxicas, mas alguns fumantes podem apresentar sintomas de abstinência, como fissura (vontade intensa de fumar), dor de cabeça, tonteira, irritabilidade, alteração do sono, tosse e indisposição gástrica. Não se preocupe: esses sintomas costumam durar, no máximo, duas semanas.
> Recaída - Ela não representa um fracasso. Segundo o Inca, a maioria dos ex-fumantes fez, em média, de três a quatro tentativas até parar definitivamente.
> Engorda - É normal um ganho de peso de até dois quilos, porque o seu paladar vai melhorar e o metabolismo vai se normalizar. Beba muito líquido (de preferência, água e sucos naturais). Evite café e bebidas alcoólicas, que podem ser um convite ao cigarro.

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